2013/01/30

dear:
nunca me fiz de donzela. jamais escolhi a realidade cênica oferecida pela rotina, o conforto bancado pelo provedor, a sucessão familiar natural — nem reconheci a camaradagem no engano, na irresponsabilidade forjada. não prejudicaria meu objeto de amor.

2013/01/26

baby:
pelo menos, fui band-aid pra tuas feridas — rifocina, povidine, micropore, durex. se não deu pra ser mais, tapei buracos, assoprei ardências, evitei novas infecções. porque amar é isso também. insistir, de alguma forma, em se querer especial até o fim.

2013/01/22


baby:
posso deixar as palavras de lado?
é só por hoje — ou enquanto durar a operação tortura [por favor, encare o real]. eu juro.

2013/01/19

baby:
o coração ainda é bobo, embora a esperança já tenha deixado de ser grande — há muito tempo.

2013/01/17

baby:
eu não sou capaz de saber o que se passa aí dentro. nem de avaliar decisões que nunca foram minhas. a vida é assim. por isso, eu insisto em dizer que respeito, ainda que não entenda — nem saiba por que insistes em empurrar a vida sempre para o mesmo lugar.

2013/01/14

baby:
guarde o espelho. porque não foi birra. apenas quis poupar você da cara de choro, do testemunho [indesejável] em tempo real.

2013/01/11


dear:
a presença da dona reacende o teatro, o jogo de cena, os atos protocolares. e tudo volta a reinar como antes do fim da encenação sem fim.

2013/01/08

baby:
às vezes, a vida volta. quero acreditar nisso. e encontrar o caminho — ainda que sozinha, mais uma vez.

2013/01/05

baby:
acho que sou diferente. nunca quis eleger trouxa algum para aprisionar na gaiola — e chamar de meu.

2013/01/03

baby:
quer saber? a tristeza deveria morar bem longe daqui. e se perder por lá de vez.

2013/01/01

baby:
deixei de alardear a despedida. como haverá adeus, se nem existiu encontro? a separação, vista assim, é tácita — e definitiva. ainda que o corpo pague a dor física. e o espírito sorria, aliviado.