2012/08/30


baby:
no fundo, meu maior lamento é perceber que és refém de um passado que aprisiona teu presente e teu futuro — ainda que finjas ser capataz de uma relação em que não passas de escravo, reconduzido à senzala. todos os dias.

2012/08/23

baby:
eu sei o suficiente, que já é bem mais do que eu gostaria. preciso dizer mais?


2012/08/17

baby:
nem precisa se preocupar. outro alguém assumirá o ofício de regar tua vaidade e elevar tua psique agora que minha atribuição terapêutica se extinguiu.

2012/08/08

dear:
aquele bebê virtual se negou a vingar. abandonou o ventre, dispondo o vazio no lugar. e, assim, o bercinho hoje balança sem cria durante as canções de ninar. gasta tempo bailando sem voz. desafia a verdade enquanto erês escalam a cabeceira para devorar lembrancinhas & açoitar ingenuidades.

2012/08/01

dear:
passei tempo demais tentando entender. colecionei desculpas buscando não ver. inventei motivos, suprimi obrigações, chorei. e, nesse tempo, o tempo, cansado de testemunhar tudo, passou. voltou a ficar senil e, de bengala na mão, tomou-me pela cintura e falou: - vamos passear, minha velha. você não está mais só.