2012/06/26

dear:
papai do céu prometeu deslocá-lo do centro da vida. pois ele ocupa o coração inteiro — estou infestada de amor, sofrendo metástase. resta-me confiar enquanto ele atravessa o país de braço dado com ela, e eu restabeleço a rejeição. cansa não ser escolhida. e flagrar que nada mudou — do que sinto, do que sentimos.

2012/06/23

dear:
minha opção, desta vez, foi realista. cansei de vê-lo imerso naquela relação, dando sinais de quem precisa para viver — e não adoecer. porque ele se alimenta das doses diárias da ração. da roupa lavada com cheiro da casa. da coleira já gasta. dos descuidos, desmandos e atrasos do lar. da inaptidão em ceder espaços. do que lhe resta afinal.

2012/06/18

baby:
esqueça a etiqueta amorosa. é hora de desocupar lugares — banir emoções. confiar em papai do céu, que tem o rascunho de tudo na mão. pois já não quero entender por que ela insiste em ler as cartas que não lhe escrevi. vontade de ser como eu — e tê-lo sem a artilharia espiritual? não importa. natural é se entregar às coisas do coração, apesar de tudo.

2012/06/15

deary:
ao mergulhar no lago, virginia se viu sem nadadeiras. mais tarde foi ana quem decidiu, sem asas, voar. às vezes, o imaginário é fatal. recusa oferecer novas chances. boicota ensaios & desvios. esconde os pincéis e confisca as tintas. pois sabe ser previsível, ao dissolver o enredo e reiniciar o jogo, apertando play.

2012/06/12

dear:
minha solidão o inventou — para amar. afinal, não fomos namorados. não trocamos cartas. não nos abraçamos sentados no banco de cimento no meio da praça enquanto o sol cintilava no céu. e eu nem quis muito — aquela vida menos unplugged [de amores certos, verdades dispostas na mesa e olhares sem eixos deslocados para não ver].

2012/06/10

marujo:
o deus das pequenas coisas voltou a estar aqui. mandou-me descobrir a vida sem você — e ficar bem, apesar da censura terceirizada, das cartas extraviadas, das intervenções que o amor sofreu. disse que não preciso disso — e que o avisasse para não se preocupar: as confidências ficarão arquivadas entre as intimidades e os relatos de guri.

2012/06/07

baby:
você temeu até os ensaios mais primitivos — o cozido em fim de mês. não levou a sério as tensões do corpo. teve medo de topar com mais daquilo que já conhecia. e sabe o motivo. não confiou que seria diferente — mágico. nosso mundo de oz — no reino da fantasia, com flocos, nozes & mel.

2012/06/04

baby:
viver bem, pra mim, é tão diferente disso que você tem – e mantém. é oferecer gratuidades – e repetir-se nelas. é simplesmente fazer porque quer fazer – sem esboços e esforços. o que me faz enxergar como nossos parâmetros se distanciam um do outro. viver bem é projetar a simplicidade na vida, nas coisas, nos sentires e quereres.

2012/06/01

dear:
é pelas afinidades que nos apaixonamos, mas é a discordância que nos derruba de amor. o desajuste incendeia imperativo o amor. porque se fica perto pelo que não se acerta, pelo que não se entende, pelo que não se afina. amar é mesmo desafiar a inteligência. ir contra tudo que faria sentido. só pode ser. depois, vem dizer que a puritana sou eu.