2012/05/30

baby:
não se preocupe, não terás mais notícias de mim — não precisas. tudo que não faço não te diz respeito. além do quê, mamãe também me defende — e tenho várias. sobretudo agora que saí do labirinto em que me perdia a cada dia mais. e só foi preciso acreditar naquela inteligência apontada por ti, ainda que inventada.

2012/05/27

baby:
és livre — no teu mundo de faz de conta. porque é nele que a liberdade não tem preço, nem gera fiança ou quebras contratuais. imagino como é viver assim, acumulando restrições & condicionamentos indolores até pra quem duvida e sai metralhando, enquanto o carro faz a curva — e o sinal volta a abrir.

2012/05/24

baby:
passei anos falando sozinha. mergulhada na sombra. imaginando um recurso que me fizesse emergir — sair do texto para entrar na vida. porque não se escreve sobre a vida. escreve-se para a vida — o que é bem diferente. e hoje, mais do que ontem e menos do que amanhã ou depois, escrevo porque algo da vida passa por mim — e me transforma.

2012/05/21

dear:
é impossível assentar a realidade sobre o papel — simplesmente não dá. mesmo assim, há quem acredite nas confissões desfiadas no espaço cênico. como se a verdade, no jogo da linguagem, prevalecesse em meio a tiroteios e rojões — seu arsenal retórico. por isso, guarde a mocinha dentro de casa, na solidez do conforto e na estabilidade da rotina.

2012/05/19

dear: quando escrevo, é a escrita que me surpreende, dizendo mais do que eu poderia pretender. merleau-ponty. nunca entendi direito. e quer saber? aquilo que se dá ao olhar é mais do que o olho pode ver. é o sussurro — o que interessa no espaço da ficção. o objeto a.

2012/05/16

dear:
sua dona me monitorou com olhos de águia. quis constranger, perseguir, intimidar. nem notou que abandonei a partida. que a competição se encerrou graças à indisposição. porque os laços determinaram o retorno e o fim.

2012/05/13

dear:
faz tempo que não mando notícias. e, agora que os ensaios expiraram, é tarde para dizer o que sinto. porque é na saudade que eles operam — na solidão do quarto e no silêncio da casa vazia. a fábula chegou ao fim. cansei de acrescentar páginas e enfrentar isso que não me faz bem. adoecer só é pior que amar sem par.

2012/05/10

dear:
me sinto tão mal vendo minha capacidade de amar sendo destroçada assim. quis ser escolhida — e, como sempre, ele preferiu outros caminhos, apesar da liberdade de estar aqui. de ir e vir e escolher, entre tudo, ficar por querer ficar. simples assim. sem acordos, promessas ou chantagens. conexão imanente. prosa silenciosa. disposição e ternura.

2012/05/07


dearie:
não me julgue, por favor.
dispenso melodramas — e jamais quis lhe cobrar nada, apenas expor o que desejo pra mim. essas vontades que se estenderam com o tempo — e a ficção sem fronteira que é o amor, esse vilão.

2012/05/04

dear:
somos de maio, mas ele vem primeiro — taurino desses com garras cravadas na terra. eu chego depois, gêmeos — e não pense em me roubar o ar. você sabe bem que a astrologia dá as cartas, desenha perfis com preciosismo, faz parecer possível entender o funcionamento de mentes & relações. por isso, compreendo que todas as razões para terminar aparecem para diminuir a culpa — e amenizar o entorno que mais lhe importa.

2012/05/01

dear:
papai do céu sempre sabe o que faz — e lhe deu tanto que chego a pensar que nem ele percebe. talvez reconheça, um dia, que transferir a responsabilidade não diminui o amor — ou que fugir da conversa não gera resoluções. porque a gente tem essa mania de querer inventar soluções mágicas para resolver o que a simplicidade ensinou: ouça seu coração — o que sobrar é bobagem.