2012/04/28

dear: não precisava mentir, ocultar a verdade, suavizar o impacto que a inércia teria. mas, diante do feito e do dito, não há o que mudar. sou dona das minhas escolhas: me mantive à espera. quis estar perto — de plantão. e nos acostumamos a viver assim, preenchendo evasivas e adiando resoluções que nem o tempo viu chegar.

2012/04/25

dear:
neste aniversário, não vou lhe mandar cartões ou livros de presente. eu vou rezar para que você não tenha tudo que deseja, mas possa estar com quem você realmente queira. de verdade. feliz dia.

2012/04/22

dear:
você também tem vergonha de mim? porque quis que ele se orgulhasse de mim para além dos portões — e depois que a lua se esconde. pois, no escuro, as coisas se esquecem de si mesmas — são apenas coisas sem conexão, desligadas de associações e diálogos. e eu? eu continuo aquela avenca plantada no vaso esquecido no fundo da casa. sem água.

2012/04/19

dear:
ele decretou o gran final. desistiu de atravessar o mar para navegar nas águas que já conhece de cor. é, cruzar o oceano tem seus mistérios. demanda ousadia e coragem. requer mais de si e do mundo. porque seguir em frente seria abandonar as figurinhas carimbadas. bancar a escolha — e preferir estar onde eles não estivessem, para estar onde eu estiver.

2012/04/15

dear:
hoje, ares de leminski
— latidos & profecias, tempo fechado & alguma alegria. acha que estou errada?
porque eu não lhe imponho o convívio — nem a tristeza. por isso, a presença se dá por escolha — desejo de pertencer, entender, transformar. vontade de pôr no colo, guardar pra si, juntar num só.
sempre.

2012/04/11

dear:
meus olhos se cansaram — não vão mais sorrir na distância. afinal, não foram dias. foram meses e meses se somando e se juntando durante anos — enquanto eu desejava a rotina do rosto colado, da pele de dia todo, do carrinho no supermercado... a emoção da presença — e nenhuma surpresa.

2012/04/08

dear:
toda boneca viva guarda no peito um coração — ainda que não pareça. por isso, conserva aquele apelo de aceitação. de querer ocupar o colo do dono em pleno domingo — e ouvir histórias. mas tudo isso é improvável demais. é colocá-lo à prova — em situação extrema. e convocá-lo a reagir no limite, condenando migalhas & fiapos.

2012/04/04

dear:
de novo eu estou aqui  — e de novo eu estou só, requentando aquele amor vintage. teimosia também deveria sair de moda. preciso tratar a limerância — me conectar com o além. e descobrir o que falta em mim  — ou há em excesso. feito esse jeito menina de diluir a tristeza — e inventar a realidade. 

2012/04/01


baby:
abrir mão é mais do que um gesto de amor. é admitir o fracasso, me colocar num lugar de extravio, assumir a rejeição, sabe? é olhar pra frente e não me enxergar com você. é me tocar sem me reconhecer — e quase esquecer aquela alegria fina que um dia senti.