2012/03/25

dear:
diga pra mim que isso vai passar. que não será hoje e que talvez demore um pouco ou bastante, mas que esse dia chegará. porque o meu costume bobo de olhar para trás me impede de seguir em frente — completa. de erguer a cabeça e tocar o céu depois de apalpar muitas nuvens.

2012/03/20

dear:
um dia, chega o dia em que a gente muda. descobre que amar não tem mesmo remédio. por isso, não me venha dizer o que fazer. preciso voltar a voar, por mais que ele não esteja comigo, entende? porque a vida é hoje, e eu não quero mais esperar.

2012/03/14

dear:
ele nunca me convidou a ocupar o lugar. pudera, não estava vago — e vadia nenhuma ali caberia. bem que mamãe avisou. o cenário social é protocolar. nele, reinam juízos & alianças — contratos & aparências. por isso, fiz bem em me recolher. as próximas cenas seriam fortes demais.

2012/03/11

dear:
não, eu não enlouqueço. eu apenas finjo sobreviver bem em meio à tentativa frustrada de lidar com o nada absoluto — a falta e o vazio. porque não é fácil. e, às vezes, sinto que não vou conseguir. a vida manda recados. o universo altera os caminhos. e o que sinto, bem, o que eu sinto fica...

2012/03/08

dear:
desmanchei o pedestal que ele não quis ocupar — ninguém mais caberia ali. e não foi por pressa. arrastei o amor, a rotina. dei voltas inteiras na quadra, me segurei — o quanto pude, sem desabar socialmente. meu pranto teve hora e lugar. porque eu não sei amar de outro jeito — sem querer perto, sem desejar pra mim. o tempo todo.

2012/03/04

dear:
o amor se escondeu — bastou aparecer sem avisos. foi pra debaixo do carro, pra dentro do porta-malas. não se atreveu a chegar bem perto, roçar a bochecha, afagar com braços & pernas. mas é isso que merecem as vadias — a falta de um gesto que as faça ocupar um lugar que seja o seu.

2012/03/01

dear:
me desarmei por pura saudade, reconheço. coloquei as feridas de lado, arrumei coragem e me entreguei à velha nova história — outra vez. foi inevitável. porque você sabe que há personagens que se instalam no enredo e ganham vida, determinando o ritmo & o tom da narrativa.