2012/02/27

dear: não há arrependimento. tudo que fiz foi em amor — este que me coloca de quatro, boba. porque não posso querer menos do que tudo. o reflexo da plenitude doada, meus instintos & quereres. sabe o que é sentir aquela vontade louca de estar no colo de alguém? pior é que não passa.

2012/02/24

dear:
guardei a boneca no armário, depois de desmontá-la. cansei de bancar a boba. de conviver com esse apelo de rejeição. quero a história completa — a área vip do amor. por isso, encerrei o período de espera. notifiquei o fracasso. acusei a desistência. e, diante de arquivos, memórias & projetos, por fim, me rendi.

2012/02/21

dear:
apesar da condição ilusória que se oferece, ainda prefiro a suavidade de nada dizer. a exposição sempre me pareceu arriscada. e, por ora, preciso me proteger. me preservar das coisas do mundo. das feridas que a vida não ousa curar. e de tudo que não quero pra mim — nem pra ele.

2012/02/19

dear:
pode ficar com a fantasia.
não tenho com quem passar o carnaval.
é, ele viajou. e eu fiquei só — de molho no divã. aproveitei para retomar a psicanálise — recorrer à terapia mental. preciso esgotar essa vontade de me sentir amada — ou comum. uma fêmea como outra qualquer. perdida entre fluxos & sangrias, desejos & rejeições. neurótica.

2012/02/15

dear:
não houve um dia, nesse intervalo todo em que não nos vimos e não nos tocamos e não nos sentimos, em que não pensei nele. em que não fiquei imaginando onde estaria e com quem — apesar de saber. preferiu outra cama, outra mesa, outro porto — em que eu não estava.

2012/02/07

dear:
não tenho nada a dizer quando o silêncio do outro lado é ensurdecedor. e tudo
o que ficou por dizer ficará sem ser dito
— distante no tempo. as frases soltas & as confissões mais imaturas. cada gesto. porque eu não servi para ocupar o lugar social — suas ternuras & mesuras.
nem pude irradiar o amor e o sabor para além dos espaços da carne.

2012/02/04

dear: não apontei erro algum.
apenas presenciei um trecho da realidade — o suficiente. por isso, me recolhi a seguir. fiz silêncio. quis sumir. morri um pouco mais. porque eu não preciso vivenciar nada disso. sentir que de nada serviu tanto querer. a construção ruiu — frágil que era. mande pra mim alguém que me restaure. ou cure.

2012/02/01

dear:
ele não recuou, apesar de saber que sangraria em mim. preferiu seguir o protocolo, desfiar os laços, representar os papéis. e eu testemunhei o ritual. o desfile pelas vias iluminadas. o braço dado. a cena pública. o que explica a inércia. aquele foi mais um jeito de demonstrar o que quer — e o que não quer. para si.