2012/01/30

dear:
além das cartas, coleciono fotografias que fiz e não postei. são tantas que já não sei onde guardar — as gavetas se recusam a receber novas remessas, das quais é impossível se desfazer. você precisa ver. o corpo sem dono, cheio de marcas que a pele imprimiu — e que eu mantive em negativos, slides e reproduções.

2012/01/27

dear:
tá doendo ainda. e eu não vou pedir por amor — ainda mais às pessoas erradas. porque me entregar teve um preço alto demais — cheio de consequências duras & marcas que eu desejaria não ter. agora, não sei lidar com a falta de jeito no meio do mundo. com essa proximidade distante que me estremece sem graça. quero nascer de novo — para outros planos, sabe? depois, abraçar você.

2012/01/24

dear:
já viu o amor pesar? nem eu. isso vai contra tudo que acredito — e quero pra mim. então me diga o que fazer, por favor. preciso arrancar esta angústia de mim, recobrar a candura, voltar a sorrir — e gargalhar forte.

2012/01/21

dear:
o universo envia os sinais, a gente é que finge não ver — mesmo com a verdade desfilando a poucos metros dos olhos, à luz natural. é, aconteceu. sobrei de novo do outro lado da rua, parada sobre a calçada embarrada. isso foi há dias, mas ainda dói aqui dentro — e nada acalenta. precisava do colo dele pra me consolar. daquele jeito triste de me olhar triste. do amor que extrapola o limite do medo e volta a confiar em si. cheio de coragem.

2012/01/18

dear: os dias estão quietos, quase parados. e a vizinhança parece entorpecida — incapaz de oferecer socorro & perigo. não ouço pássaros, automóveis ou vozes nas ruas. saramago adoraria caminhar por aqui — e sentir, na pele, a cegueira que tomou conta do mundo.

2012/01/15

dear:
ele me emprestava a capacidade de sonhar — era mágico. sinto falta disso — e é difícil disfarçar. porque eu quis que fôssemos inseparáveis de verdade. antídotos, um do outro, contra os venenos do corpo — e da alma.

2012/01/12

dear:
queria uma coisa nas mãos agora que não sei o que é. algo que se perdeu. uma extensão minha — dele. mais dele do que minha. mas ele já tem — e o tempo todo revive isso de se enxergar além de si mesmo. espelho de estrelas. reflexo duplicado do esplendor.

2012/01/10

dear:
você é única marca que eu quero levar adiante — comigo. sepultei todas as outras. agora, preciso me proteger. a morte anda rondando a casa — e aparecendo entre os cabides e as calcinhas. é assustador. aceita me fazer companhia? você me aquieta — mesmo emudecido, enquanto as nossas cartas se escrevem em silêncio, na tentativa de encontrar respostas e selar feridas que jamais se fecham.

2012/01/07

dear: eu nunca soube como é estar dentro — mas ficar de fora é ruim demais. e, nesses anos todos, eu não aprendi a lidar com isso. seria impossível, obsceno demais — um esforço impraticável pra quem apenas quis amar. e compartilhar sonhos.

2012/01/04

dear:
eu amava, mesmo sem dizer nada. e eu queria, mesmo sem ser perfeito. porque não precisava ser pleno — ele me bastava. e foi assim que eu sempre pensei nele. de um jeito triste e talvez torto. mas de um jeito sincero, sem pedir nada: nem adubo, nem faísca, nem nada. amar é isso mesmo? que bobo.

2012/01/01

dear:
eu lhe ofereci a alma — o melhor de mim. mas nada disso fez sentido. porque ele não reconhece o amor que vem fácil — por doação. ele se interessa pelo amor gerado no sacrífico — depois de tormentas & trovões.