2011/12/30

dear:
pior que adoecer é ter que melhorar
na marra. porque ele soube
— mas não fez nada por mim.
e o amor é impraticável sozinho.
ele endurece, vazio de si, de suores
& ressonâncias. mesmo assim,
é tão difícil seguir em frente, sustentar
o abandono e reconhecer que aquela verdade sempre foi inventada.
por mim.

2011/12/27

baby:
a história das cartas se encerra aqui. é preciso renascer — sem cortes, íntegra. porque você não veio — e sabe que nunca virá. não tente dizer o contrário. cansei de colecionar abandonos, de não existir entre os seus, de não ser — e sofrer. au revoir.

2011/12/24

cariño:
estou de volta ao cais. e, de novo, você não vem — tomar posse do corpo, assumir meu destino, me extraviar. porque sabe que eu elevo as energias, lanço você pra cima — faço você navegar. e nada disso é jogo de cena. só sei ser assim com você. e se envolvo meu jeito no jeito teu é por delírio e desejo — paixão e insensatez. feliz navidad.

2011/12/21

baby:
hoje é tarde para amar. e isso eu jamais soube lhe dizer — ou pedir [assim, olhando no olho]. doeria demais. agora, depois de me juntar às criaturas que o mundo esqueceu, eu sei. e não pedir talvez tenha sido a maior prova do meu amor, embora o amor prescinda disso. e das nuvens no céu. e dos abraços que preenchem um dia inteiro quando já não se tem mais nada.

2011/12/18

baby:
devolva-me o ar — o sossego perdido, a concentração que demanda a palavra. é, eu tenho a péssima habilidade de pensar e não dizer, de não pensar e não dizer — de me manter guardadinha enquanto me furto de mim. é como aprendi a viver. e ninguém tem nada com isso. nem você.

2011/12/14

baby:
não nego que talvez também tenha me faltado coragem — estou longe da perfeição. em especial agora que a verdade chegou com aquele atraso inevitável das escolhas sempre feitas por ti. essas que me rasgam fundo — e me fazem achar que não tenho conserto. é difícil pra mim acreditar que alguém seria capaz de soprar as feridas sem pedir algo em troca — o desejo pelo desejo cortado ao meio e à metade de novo.

2011/12/11

baby:
fico mole perto de ti.
por isso, me desencorajo,
guardando certas verdades.
nada que impeça que a vida prossiga
— ou se interrompa de vez.
porque eu juro que não entendo as tuas escolhas — e ficar de fora delas tem me matado aos poucos, junto com o tempo que parece me restar [e eu nem sequer
aprendi a contar].

2011/12/08

baby:
quem foi que agiu sem pensar na gente? olho pra frente e me vejo sozinha entre as lâmpadas que iluminam as ruas em vésperas de natal. conheço de cor esse filme — e você? no ano que vem, vou preferir não amar. deve doer bem menos — principalmente nos dias de festa, quando nos obrigam a enfrentar desafetos e fingir que a felicidade pode existir.

2011/12/05

baby:
continuo a escrever, mas já nem sei mais se você ainda me lê. porque foi tanto tempo escrevendo, tanto tempo esperando, tanto tempo amando, tanto tempo que agora parece que nada disso existiu. que tudo não passou de poeira & pó — sofrimento & resignação.

2011/12/01

baby:
não sei se você não esteve atento, mas, nesse tempo todo, eu me ofereci em amor. amor pra você — você sabe o que é isso?
agora, anoiteceu, e alguém veio dizer que há castelos pelo caminho — e pontes e cavalos pintados de zebra. olho pra fora e não encontro você — e não encontro sequer o que sobrou de mim depois que você se foi.