2011/10/29

baby:
sou imperfeita sim — por natureza. e costumo errar — o tempo todo. estou aprendendo a amar. e o que me salva talvez seja essa própria forma disforme & moldável. não estou pronta. e o ser humano é um bicho complicado. por isso, às vezes, eu me restrinjo a mim — é como sofro menos.

2011/10/26

acredite, baby:
o bonde passou, deu ré e voltou a passar, lançando o tapete. porque, assim como eu, você viu. conferiu a repetição, a reprise do abre-e-fecha, o troca-troca de passageiros. e, apesar disso, você não foi, você ficou.

2011/10/23

baby:
estou levemente bodiada — não durmo há dias. acho que é por medo de me ferir agora que desisti de lançar âncoras para o futuro. preciso remover a cola. esvaziar a memória. me proteger. mas é difícil — a remoção. será magia? uma vez você disse que o defunto era grande. que o defunto era o amor. lembra?

2011/10/19

baby:
é tão difícil abandonar o barco — e quase impossível fortalecer com o gesto o que a razão insistiu em prescrever. o coração se apequena. a lágrima desliza. e o corpo padece — estirado sobre a calçada molhada.

2011/10/16

marujo:
eu não vim para afundar navios. vim para suavizar as tormentas, afagar o dorso, te adornar. vim para repetir o gesto, duplicar o corpo, recriar a forma [reviver o desejo, reinventar a fala, acelerar a paixão]. porque o amor já chegou faz tempo. veio antes da bagagem, trazendo o anel que meu dedo não vestiu. ainda.

2011/10/13

baby:
eu não quero ficar pra depois. eu quero ser agora. quero ser hoje. quero ser com você — pra você. precisa assim. porque você sabe que é comigo — e só comigo — que a solidão se assossega. e que é por isso que é tão difícil se manter distante, fingindo não ouvir o coração.

2011/10/10

baby:
desculpe, mas me acostumei a amar sozinha.
por isso, não venha dizer que complico tudo agora que tudo é passado. porque o amor, baby, é facilitador. abre caminhos. devolve a leveza. esvazia medos. se impõe. então, se não foi assim, não era amor. era ternura chamego vontade de dar as mãos — qualquer coisa assim que jamais saberemos ao certo o que foi e o que poderia ter sido.

2011/10/07

baby:
eu só quis ser sutil & marcante, singularizar a presença, simplificar cada gesto — ficar. por isso, estive atenta a você, aos olhares precisos e à precisão vocabular, enquanto você me restringia à pequenez do cercado. because you want everybody, baby.

2011/10/04

baby:
agora eu sei o que é sentir a vida arremessando verdades na cara — perguntando se terei estrutura amor estômago vigor para lidar com isso e com doses recorrentes disso que hoje é isso. não tenho. não teria. sou mais frágil do que pensava — e bem menos amada do que pensava também. por isso, pedi que meus sonhos se percam de mim. quero distância — e um pouco de paz.

2011/10/01

baby:
dói dar de cara com o real-palpável te dando satisfações. mas é assim que a vida te obriga a sair do lugar, chacoalhando corpo & espírito — porque é preciso. a vida acontece agora e aqui — mesmo que eu insista nesta mania de procurar sinais... de afundar na cama repetindo sinto muito/me perdoe/eu te amo/obrigada até dormir e de acordar achando que hoje a coisa vai.