2011/09/29

baby:
não acredito em milagres — e às vezes até me pergunto se deus existe realmente. difícil é ter
que admitir tudo isso — depois de anos acreditando, maquiando a realidade, ajustando minha vida à tua, te amando.

2011/09/26

baby:
reconheço a magia que nos conecta — a força do amor. por isso, jamais menosprezaria tanto querer. mas como posso competir contra três? sou apenas uma — numa batalha que se arrasta, desleal. além disso, não pretendo sepultar teu passado-presente, nem instituir a discórdia. minha história é contigo — e se agita aqui dentro. pois tudo que deseja é se expandir — crescendo em espaço & número, marcas & combinações.

2011/09/21

baby:
você colocou o ponto — ao querer cuidá-la, documentando o afeto. além disso, testemunhou a minha dor. porque sabia que sangraria, que seria corrosivo — e ainda é. o estrago se estende — mesmo que você não queira. e não queremos. então, melhor não rebater. o laço comigo continua frágil, diferente dos nós com outrem.

2011/09/18

baby:
aquela conversa se revira aqui dentro — queria saber que caminho tomar. porque insistir é acompanhar o coração — forçando, sem forçar, movimentos involuntários. afinal, já tens os teus — condição que não me contempla, apesar de tudo. apesar de nada. de agora. e sempre. e aqui.

2011/09/15

baby:
conheço de cor as fissuras do teto. tenho envelhecido com elas — juntado marcas & acumulado vazios. o reboco que cai já forma pequenas dunas pelo chão — e a alergia, é claro, piorou. os espirros parecem até encher um pouco a vida, que continua sozinha, apesar dos dias de sol, dos latidos vencidos e das visitas cada vez mais espaçadas.

2011/09/12

baby:
é muito mais que querer o fim da agonia. é reinstaurar o equilíbrio das coisas — a leveza natural. porque é assim que sei viver — sem exigir, nem impor. e, naquele dia, era preciso recuperar a vida — alternar carinhos & gemidos, pactos & declarações. porque arquivar este amor é tudo que eu não quero.

2011/09/07

baby:
a retratação tardou a chegar, desdizendo o que pregou. o que me leva a pensar que nosso amor não é maduro o bastante. por isso, você se solta de mim. sobra receio, falta disposição — enquanto o corpo exige novas intimidades. porque restringir o amor à pequenez do cercado é violentá-lo. a cada dia um pouco.

2011/09/04

baby:
meu querer é ambicioso — e não se envergonha de ser egoísta também. e, assim, demanda posturas & atitudes. bate os pés. porque eu daria a vida a você, amor — [é] tudo que tenho, além desta falta gesticulando aqui dentro. pois estar à parte significa não merecer tua devoção — aqueles cuidados mais finos e a fineza afetiva destinada somente a quem se sabe só teu/tua.

2011/09/01

baby:
sobrou pouco a dizer — e, agora, quase nada. hoje eu sei que a doçura, um dia, acaba. deixa de marcar o caminho, porque não há mais semente. e, assim, da rota afetiva, restam lembranças — estas que a memória reedita, num novo bordado, entre recortes & colagens, acréscimos & exclusões.