2011/07/29

baby:
o espio alheio não me interessa, definitivamente. me importa a modulação do teu olhar — e o que fica dele. porque quem chora comigo é o travesseiro — o luar encoberto, meu filhote canino. e, todo o resto, baby, eu deixo estar. é entressafra, energia perdida, veneno. sou dona de mim. alterno tropeços & renúncias, arremato a solidão. sou aquela obra-prima engessada que alguém modelou e plantou no meio da praça. com cimento.

2011/07/25

baby:
me empresta a verdade?
é ela que eu quero — agora e aqui. porque me cansei de ser clandestina. de desaparecer na sombra afetiva — e me apagar na escuridão do cercado...
meu precisar é sem segredos:
a bainha que costura o abraço,
o carinho que envolve — e fica. aquele amor a dois.

2011/07/20

baby:
a admiração extrapola o campo afetivo. dita as normas, a intensidade, o tempo de vida. feito este amor — enraizado & vazio. mas eu sinto medo, baby. medo de que a doçura escorra — e eu me esvaia com ela, num apagão de amor.

2011/07/18

baby:
não adianta esperar — o castelo de cartas ruiu, e o cercadinho deixou de bastar. e, diante disso, não há culpa ou pecado. porque eu fiz de tudo, babie. me lancei ao extremo. estiquei a paciência ao limite — me reeditei. fui cinderela, pocahontas, lolita, gueixa. voltei ao local de partida. retardei a chegada. e me segurei — no amor. até cair.

2011/07/15

baby:
eu queria sentir que posso. porque eu também não quero esquecer — eu quero viver pra voltar a lembrar. e você sabe como manobrar esse amor — com teu jeitinho tonto, torto, frágil. operando a natureza sensível de si, de mim. tocando lá dentro, me amolecendo. mas, assim, do jeito que está [que estamos], me pego acuada — e paralisada diante de ti. sem saber se ainda posso, quero, consigo — encarar esta história.

2011/07/11

baby:
estou às voltas com teu bilhete — emaranhada. e quer saber? queria tanto acreditar que consegues — que teu mundo me abrigaria fácil como um abraço. mas já não consigo, baby. e acho que é porque não encontro as pegadas — nem mais consigo tocar aquele futuro que imaginei. com a gente dentro.

2011/07/08

baby:
acha mesmo que nosso amor tem esse fio perdido — esse quê da maldição de áquila? é possível. porque eu desconheço as entranhas do amor — suas malhas & manhas. e, bem lá no fundo, baby, eu só queria mesmo oferecer tudo que você precisa pra viver — ser plenitude, porto mais que seguro, essa alegria possível.

2011/07/05

baby:
um amor, não se enterra — nem se adia —, se celebra. ele é imanente — movente. ocupa lacunas e inventa justificativas para existir — resistir... e se, por algum motivo, você gerou amor em mim — este amor que confia, deseja, cuida e preserva —, por algum motivo, ele não se quis eco. não se fez eco. não se quis espelho — mas espera. e eu sinto, baby, sinto que não te vejas preparado para vivê-lo, mas para evitá-lo.

2011/07/02

baby:
minha dor não é menor ou maior que a de qualquer outra pessoa. ela apenas existe — sobrevivente que é. o que não significa que eu saiba lidar direito com ela, engolindo destemperos, assombros & castigos. porque eu me perdi na tristeza, depois de procurar a alegria — de revirar o quarto e a sala e encontrar uma realidade que já não serve.