2011/06/29

baby:
eu não saberia administrar a tua dor — a falta, a cara de choro, o vazio dentro do olhar. é deles que você precisa. e é com eles que quer ficar — eu sei. nem precisa transferir a sentença, jogar pra frente e adiar mais. não vou apagar a saudade ou diluir memórias e segredos — isso que tive, isso que guardei.

2011/06/26

baby:
eu só quis caber na tua vida — merecer tua devoção. entrar e ir me instalando, assim, aos pouquinhos. ocupar lacunas e posições especiais. inaugurar o ninho. estar com, perto, dentro, em. morar na tua tristeza — desfolhar teu sorriso. ser incluída e te entregar o melhor que há em mim, seguindo o bordejo.

2011/06/23

baby:
as cartas continuam queimando, mesmo que eu não apague as palavras. porque eu não as sei esquecer, você sabe. por isso, elas ressoam aqui — fazem eco & estrondo, perturbam o sono & a concentração. será isso então o amor? isso que desassossega e atropela os sentidos? porque, às vezes, eu acho que é tarde. tarde demais para amar — ou querer [tudo de novo].

2011/06/20

baby:
é assim mesmo a ressaca do amor? porque eu continuo molhada — disforme. e os corações — saberão se recompor, assim, naturalmente? porque eu não sei mais o que pensar. não consigo lavar a toalha, neutralizar o perfume, me desapegar disso que ainda resta. meu presente ausente. de novo. permeável, arisco & distante.

2011/06/17

baby:
deixa o amor assim — intransitivo. é mais sensato. preciso ir embora de mim. apagar as pegadas. e eliminar restos, rasgos e rusgas — lavando os extratos. ficarei mais leve — ficarás. porque não basta acreditar que seja possível. nem ser perfeitinha pra ti.

2011/06/12

baby:
já não existo — e agora eu tenho certeza. bastou você não vir — quando mais eu precisei. por isso, guarde as desculpas & os remendos. é hora de partir. de sair para sempre de ti — e deixar o tempo seguir soberano, realinhando os destinos.

2011/06/10

baby:
lacrei a torneira — e a maré de sangue secou, esvaziando o oceano. é, porque dói perceber que não adianta mais remar, nem reler teu amor documentado — nossas cartas trocadas. e, por mais que a tua presença me ronde, babie, dói sentir que o choro não mais neutraliza — e que não deixei de ser só, embora mais pobre de afeto & candura e mais rica de ardor & amargura.

2011/06/07

baby:
deixa na ficção — o espaço possível, nosso mar sem-fim [em dia de muito sol]. porque sair do papel significa extrapolar os portões — arriar pontes, abandonar velas e encarar o que fica além da arrebentação, viajando bem longe. e, fora dali, nosso amor se assusta, travestido, e pipoca — até se perder, pouco a pouco.

2011/06/04

baby:
tua confissão faz eco aqui dentro — martela na mente. e quer saber? a dor maior nem foi ouvir você dizer que se sentiu um pajem comigo — mas perceber que não me conhece. porque não conhecer implica não reconhecer — verdades, gestos, dizeres & quereres. além disso, já esqueci como é ser par, ter par, a cada vez que ultrapasso os portões.

2011/06/01

baby:
interromper a correspondência é abreviar a vida, partir mais cedo e ainda documentar o fracasso, ao desistir de procurar teu corpo — que insisto em guardar nas dobras, nas bordas, nos interstícios... nessas verdades inventadas para aliviar, um pouco, a dor — sem eliminar, de pronto, o ardor [que carrego comigo como quem leva consigo um objeto raro]. enquanto isso, fecho os olhos e tento adiar a saudade — me enganando outra vez.