2011/03/29

baby:
escrevo esta carta sentada no chão do corredorzinho que separa, pra sempre, você de mim — desde que joguei fora o velho tarô manchado de lágrima, sangue e solidão. arcano nenhum me engana mais, apontando caminhos ou desvios — esse abismo chamado paixão. é, baby. tudo, ou quase tudo, poderia ser diferente se.

2011/03/25

baby:
sinceramente, eu não temo o escuro. e até prefiro manter as luzes apagadas. mas me dá certo alívio saber que, se eu apenas tocar ali, no ponto certo, o escuro "pum" — se transforma em luz. porque lá no fundo a gente sempre sabe que enxerga só aquilo que quer enxergar. o que o desejo escolhe enxergar, pôr no centro do olho — ao alcance do olhar.

2011/03/22

baby:
me bota de volta — na vida tua. quero deitar o rosto na palma da tua mão e, parada assim, descansar — até o outono acabar. o que te parece? mágico & justo — esplêndido & apropriado? é. eu sei, sabemos — antes e depois desse olhar que, além de mim e daqui, de novo se esconde.

2011/03/19

marujo:
as noites se arrastam quando você não está. os dias se apagam, e o coração parece perder o compasso — emitindo sinais de que quer mesmo parar. e não ria de mim! é tudo verdade. até a imunidade do corpo fica comprometida — enquanto o leito se esvazia, aos poucos, de ti: da natureza salina, dos movimentos & das feições.

2011/03/16

baby:
parece que me excedi. que andei falando demais. e deixei transparecer o que se queria nem tão oculto, nem tão exposto. passei da conta, foi? é, acho mesmo que a doçura escorreu, melando você.

2011/03/13

baby:
também não quero ficar sem isso que existe entre a gente. gosto de morar em você — e, vezenquando, me sentir seu abrigo. porque nem é preciso explicar. a gente se entende de olhos fechados, se procurando em cada gesto — num encontro certeiro.

2011/03/10

baby:
não foi doidice não, acredite. meus destemperos são sempre calculados. aquele bilhete foi só pra dizer que eu queria passar mais tempo com você — conectada. ser par — e abandonar, de vez, esse compartimento remoto em que me transformei.

2011/03/07

marujo:
ajusta a vela — o vento está a seu favor. e até eu sei disso... impossível seria lidar com o irremediável. lotear o oceano — ou o coração; estacionar o céu — ou a paixão. coisas assim.

2011/03/04

baby:
repete o que disse há pouco sobre a saudade? quero te ouvir falar — bem de-va-gar... dizer pra mim que é aquela vontade de estar sempre perto — e que faz o coração requisitar o convívio. é isso, não é?! é sim. saudade é uma paixão que não acaba.

2011/03/01

marujo:
a festa acabou, o dia já está no fim — e eu continuo sorrindo.
porque você transforma o meu dia. por isso, preciso voltar a escrever no espelho teu —
feito epígrafe roubada de um romance urbano qualquer — ancora em mim.
dilui a vergonha
e me elege teu porto.