2011/02/28

marujo:
me recolhe depressa.
preciso me ter de volta.
recuperar a morada — a casa
do sol, meu mar doce lar.
renovar segredos e diluir pequenas sabedorias,
enquanto a gente repete,
sem repetir, gestos & palavras, reprisando a vida
[no que ela tem de melhor].

2011/02/25

baby:
gostei de sair de trás da cortina e ocupar o palco — a periferia da cena [pela primeira vez]. foi especial, porque lento, real. fez por mim — e para si también? um dia você me conta? pode ser daquele jeitinho, alternando cochilos — enquanto a televisão conversa sozinha no canto da sala, e eu te leio [calada].

2011/02/22

baby:
és irretocável.
feito sob medida.
um exagero.
adorei ontem.
e não vou insistir.
agora é sua vez.
de beber minha nostalgia.

2011/02/19

baby:
atravessa a rua de novo. quero te ver passar, atrasando o passo — pra cena durar mais. você consegue. é desacelerar... não, não. desista de atravessar a rua de novo. quero te ver ficar. de verdade.

2011/02/16

baby:
plantei morangos como quem semeia esperanças — pela primeira vez. caio testemunhou: a aquisição do vaso e da terra, a escolha das mudas, o plantio desacertado e a sujeira se acumulando no piso. o que era pra levar poucas horas tomou o dia todo. agora é aquietar o corpo e, depois, contemplar o trabalho, mesmo que nem haja sol — ou sorrisos.

2011/02/13

baby:
teu zelo é bem-vindo todas as vezes que, sem querer, esbarra sutil em mim. é uma forma a mais de dizer, sem dizer, que me quer bem, na minha pequeneza miúda — te olhando de baixo antes de te envolver pela cintura sob a veste [ou com ela]. eu sempre sei o caminho. excitante é me perder em ti — tramando alguma armadilha cafona... ou infantil.

2011/02/10

baby:
é domingo de céu azul e nuvens esparsas. você dorme na sala, e eu observo de perto. nada mais importa — e isso é tudo que quero ter. você se move, dobrando mais os joelhos. respira fundo. depois sorri um sorriso triste, e eu sinto como é gostoso me lambuzar assim de você — sem tocá-lo.

2011/02/07

baby:
a liberdade me permite estar só — livre de todos, nutrindo uma solidão que só é perfeita contigo, pois exige uma companhia ideal. o que difere da companhia idealizada. porque eu te desejo de olhos arregalados — na tua imperfeição atrapalhada [de sombras & luzes, naufrágios & emersões].

2011/02/04

baby:
gosto quando o coração se acende — e faz a vida caminhar, forjando pequenos rasantes. os significados se elevam, ganham densidade. e é assim que te vejo sempre que voltas a vencer — e me contar. na quietude minha, festejo contigo — lançando serpentinas e confetes, enquanto o coração se revira [em cambalhotas].

2011/02/01

baby:
eu tenho essa mania de achar que, no fundo, é só silêncio — mesmo quando pode não ser. e eu não queria falar — apenas estar ali. pertinho. existindo contigo — apesar da cara de ontem, da recusa de agora, da esquiva de sempre. você já tentou suicídio alguma vez? é o que resta quando não se acredita mais em nada — e tudo fica estéril, vazio, seco. um deserto. uma plantinha esmagada no meio do asfalto — depois da pedra, bem na curva em que o silêncio varreu o amor. e a vida.