2011/01/28

baby:
os príncipes não existem — e as princesas estão mortas. como vês, reconheço o desalinho sutil das coisas — a perfeição me nauseia. por isso é que me permito amar — e sofrer, enquanto me aborreço por continuar te querendo... até a morte ou.

2011/01/25

baby:
a pieguice é a irmã mais nova do amor — do tipo que faz a gente passar pequenos constrangimentos e, quando falta, sentir saudade. porque, no fundo, é bom demais colecionar historietas. os olhos descansam sobre cada gesto, a memória anota tudo com exatidão, e o tempo ajuda a contar. a reconhecer a alegria depois de descobrir a tristeza. a escrever a narrativa perfeita. e a repetir alto que o amor, esse que perdi, era a melhor coisa do mundo.

2011/01/22

baby:
longe de ti, sapateio — viro criança faminta, me infantilizo. acho que fui mimada — ou quero ser. porque eu menti quando disse lidar bem com a rejeição. não sei mais ser preterida, amor. uma vida inteira assim é muito pra mim. por isso, estou só & impura, esvaziada de ti — que é esmalte pra vida, sol que ilumina e acolhe [nos braços, dentro de si].

2011/01/19

baby:
escrever me alivia a dor. e chega a adiar um pouco esse impulso vazio de saltar pela janela e acabar de vez com esta saudade maldita — de tudo que não foi, do que poderia ter sido, daquilo que desejei que fosse até o fim dos dias. e agora que o inverno chegou aqui, sinto a sombra se enraizar em cada fio de cabelo, na superfície do corpo, inside. porque é inútil procurar você na outra esquina — à beira do cais, no ponto zero da curva. e eu juro que sei que é preciso me acostumar com o escuro e o frio — e a verdade castrando os sonhos a cada vez que ouço você dizer quê.

2011/01/16

marujo:
alguma coisa aqui dentro sabe que não vai acabar — e que não vives sem mim. e não é apenas porque esta história se quer vivida. precisamos daquele outro inventado e que só existe na presença do inventor — como quer o destino. e a gente.

2011/01/13

baby:
vai uma dose e meia de saudade? dizem que é bom juntar às outras doses — até que transborde, cheia de si, em coragem, desejo e lucidez. porque eu não tenho nada a oferecer, além de mim — do meu presente e do meu futuro [de certa loucura e muita solidão]. me estende a mão? quero caminhar contigo, atravessando o jardim, e ficar — até o fim. da vida.

2011/01/10

baby:
és taurino — desperdiças tempo tentando desfazer nós imaginários. e, enquanto ruminas e te apegas ao que parece seguro, vou me acostumando cada vez mais comigo — é o que me cabe. assim, sigo evitando novos encontros, revivendo a rotina, me aquietando em mim. acho que é o único jeito de continuar... até que a história se encerre — ou se perca.

2011/01/07

baby:
procura-se uma saída que não doa tanto. porque eu não quero partir e assinalar o fim desta história. não foi isso que sonhei pra mim. mas a verdade é que não me queres. e é difícil permanecer no raso quando se quer mergulhar — ir até o fundo e ficar. no entanto, é assim que és — e é assim que sabes querer, acovardado, me apagando a cada recuo.

2011/01/04

marujo:
pudesse, iluminaria o percurso — a rota que segue o coração. e, hoje, de farolete na mão, diria, um tanto nervosa: save your life. porque, às vezes, permanecer no barco é adiantar o fim. pular março, abril, maio e junho e antecipar a cena final. e você precisa saber que meus dias só existem com você dentro deles — sem dizer nada, ou fazer, entre culpas, tristezas & sangrias.

2011/01/01

baby:
a coragem sustenta a leveza do ser. e é nela que se assenta o mundo das coisas sem peso [como aquele das crianças, na história de kundera]: o diálogo dos olhos, a neve em flocos, o abraço das pernas. mesmo assim, há o medo — ou quem sabe alguma sensação de nome diferente que faz com que a coragem se recolha com força, não é?! eu sei — e nem preciso recorrer às cartas ou à doçura do início pra entender você. felicidades neste novo ano.