2010/12/28

baby:
pra ser diferente é preciso acreditar que pode ser diferente, apesar da semelhança do enredo. por isso é que eu queria dizer mais disso que é tão bonito e deixar de sentir que pode não dar mais tempo — esse que se encolhe e te escapa e costuma fugir sempre de mim. porque dói saber que você prefere manter as coisas nos lugares já seus, enquanto o desejo demanda novas disposições.

2010/12/25

baby:
apenas seja você. diga a verdade que guarda o coração — é ela que quer ouvir ressoar, fazendo eco na sala. não é preciso temer, nem adiar mais uma vez. nós já esperamos bastante, colecionando dores & privações. além do quê, o amor não se apaga. por isso, não adianta lavar as mensagens — elas voltam a se escrever, contornando as linhas do rosto, num traço perfeito.

2010/12/20

baby:
minha solidão hoje é triste — e se recusa a ir embora. porque é com você que eu quero estar. e não adianta moderar essas verdades inventadas. eu acredito no que dizem teus olhos — e as cartas: quem ama espera. além do quê, não pretendo renunciar a isso que me inflama e acalma — a gente.

2010/12/17

baby:
não sei mais se conheço você. estou em chamas — consumida pela saudade, à beira do mar aberto. e, quando se tem trinta anos, três de paixão pode significar muito. especialmente quando, de novo, você me deixa só sobre a interminável faixa de areia — esquecida feito um velho lençol no fundo do armário, sem saber mais se tornará a voltar: cobrindo a cama. e, assim, anoiteço, procurando um sentido atrás de cada palavra espremida na ausência tua.

2010/12/14

baby:
sim, sou eu quem te livra do cinto — do aperto próprio da vida. é o que me põe apaixonada, com o olhar apontando pra ti. porque o amor não se cansa, baby. por isso, fala de novo. extravasa a angústia. permita o desembaraço — vai te fazer bem. sem falar que sou aquele pratinho que fica no fundo do vaso, guardando o que sobra — se sobra — da tempestade que engole a vida. e a gente.

2010/12/11

baby:
não, eu não sei me segurar. vivo engendrando desculpas pra me fazer saliente — me dar de presente. feito uma frase linda que acabo de ler: o amor está trabalhando, ele é incansável...
vontade de dividir contigo, como tudo que acontece comigo e não comunico. é. vontade de estar perto, dentro, junto, ao lado, com. porque, na verdade, quem me enredou foste tu — como el musguito en la piedra.

2010/12/08

marujo:
não abandonei o barco — nem as cartas. meu amor pede um certo alarde, apesar da economia que tento me impor. não quero me desalojar de ti — nem me privar do registro afetivo, do que é narrável no sentir: esse pouco que me coloca de pé em energia & suspiro, melancolia & desejo. te quero.

2010/12/05

baby:
acho mesmo que a minha alegria depende da tua — também não gosto de ser triste. mas tudo é questão de tempo. porque o desejo já se impõe — sem sobreavisos, bilhetes, notificações. do jeito que deve ser — com equilíbrio e livre de pressa, como se quer o amor: pleno de si.

2010/12/01

baby:
sacode a tristeza. ela não combina mais com a gente. melhor deixar de lado isso que te fere e me machuca — e eu chamaria porto pseudosseguro. bom, eu não apostaria numa reengenharia — já gastei muita vida com ela. e, hoje, prefiro ficar com meus fantasmas, enquanto faz frio — e o silêncio se reorganiza aqui dentro.