2010/11/27

marujo:
sabe quando eu tive certeza? foi naquela madrugada em que a natureza resolveu nos tirar da cama, fazendo ruir céus e superfícies, e você ligou. precisava me saber bem, apesar das vibrações de portas e janelas. nesse momento, o amor deixou de ser segredo. veio com pressa — desavisado. e sorriu. era a primeira estaca.

2010/11/24

baby:
eu não recuso o mistério. ainda prefiro as palavras guardadas. essas que deixas à sombra — à espreita de si mesmas, num resguardo que só pode ser amor. porque eu sei como tudo costuma funcionar aí — entre carinhos comedidos e enunciações provocativas. o teu real possível — longe de todos e cada vez mais perto de mim.

2010/11/18

baby:
vem, que eu quero guardar minha vida dentro da tua — e enxergar tudo outra vez. os homenzinhos azuis que vigiam a porta de casa. a certeza querendo entrar sem bater. e o sentido se instalando de novo — aqui, em mim, pra pintar novas vidas dentro das vidas já vivas... nosso arco-íris.

2010/11/15

baby:
te sinto próximo — mesmo estando distante. e nada disso me soa estranho — pelo contrário. a distância dilata o amor — por isso essa saudade comprida, costurada no peito, de dias e dias e dias. de uma vida inteira. uma saudade capaz de atravessar o tempo, essa vida — e todas as outras. eternamente.

2010/11/11

baby:
eu não entendo o cerco — essa proteção amorosa. preferiria que me privasse da dor, do estrago que provoca a saudade, dos gestos faltosos — das sensações resultantes da ausência tua. fui clara agora? porque eu tenho todos os medos do mundo — não dar mais conta, falhar na espera, desapontar-te, amor. medo de subtrair a vida — e tudo que acontece ao redor, incluindo você.

2010/11/08

marujo:
eu senti a flechada. bastou teu olhar percorrer o corpo — antes de fazer vibrar o coração. desde então, a vida não foi mais a mesma. porque a magia nela entrou — pra se instalar, reincidente. por isso é que eu acredito na perfeição das coisas — e dos ditos armazenados na fímbria dos teus pensamentos ainda mudos.

2010/11/05

baby:
eu também não quero que doa — porque não é preciso doer. apesar disso, pretendo voltar à normalidade — não dá pra adiar mais. é muito tempo calada — acumulando solidões, pequenas e longas interrupções. de junho, julho e agosto. três meses — três anos. e a vida parada — de sonhos e carolinas recheadas com doce de leite.

2010/11/01

baby:
tua presença me ilumina, me faz arfar — provocante que sabe ser, sem jogos, até nas vezes em que se demora. mesmo assim, sobra dúvida, né?! eu sei. sei que não pretende errar de novo — e que só sabe cuidar de um afeto por vez. no próximo tombo, quero você pra assoprar meus joelhos arranhados — estancando a saudade.