2010/10/29

baby:
minha natureza é felina. enterro meus desafetos — não sei perder. vai ver é por isso que, noutro dia, encontrei, sob a pilha de livros na mesinha de canto da sala, os bilhetes que escrevi e não mandei. diziam coisas que gostaria de ter lido — de uma doçura jamais compartilhada, nem sentida.

2010/10/26

baby:
às vezes é bom estar de volta ao porto — desfazer as malas, se recompor no cenário familiar. porque lidar com o previsível gera, sim, um certo conforto — etéreo, embora volátil, temporário.
nessas horas, longe daqui, o silêncio queima — feito um aceno [raro, turvo, receoso] —, acionando a saudade... do que somos juntos. intensos. sóbrios. vivos.

2010/10/23

baby:
é da carne que brota a saudade — direto da fonte. porque eu sinto a tua falta — e não escondo. o corpo se rasga, avisa — visceral que é. prefere preservar a magia que houve, que há. tua fala baixinha, a falta de normas, aquele quê adocicado — desde que a vida é vida, de quando nasci [e você já se fazia triste (lá dentro) até se ampliar e me tocar, sem palavras].

2010/10/20

baby:
eu também queria estar lá — pra me fingir tua, de outro, de ninguém. libertina — no espaço público. do jeito que gosta — gostamos. provocativa, menina, intensa — tua. às voltas com o corpo enfeitado — e o jogo do mostra/esconde. fantasiosa & ingênua — indecifrável, sempre: e melhor, porque você está. teu olhar me realça — ao me colocar de quatro no pé do altar.

2010/10/17

marujo:
você tem razão: eu não quero esquecer, eu quero viver. pra repetir você em mim, aumentando doses e frequências. porque o amor requer alarde — volume alto, repeat. e disso eu não sei abrir mão — mesmo que ainda demore, mesmo que você resista, mesmo que não seja amanhã [nem depois].

2010/10/13

baby:
é gostoso pensar que a gente nem precisa de um barzinho e um violão. que a presença preenche — e se replica, com mais presença. posso querer mais? mais do tempo, mais da vida, mais do cuidado, mais de ti. e que chegue mais perto, bem perto — sem medo. vem agora e me abraça forte. já sinto que é neste lugar que quero estar — entre as coisas tuas agora nossas.

2010/10/10

babie:
ainda prefiro sentir essa falta que não machuca, que não sangra — nem faz chorar. porque o amor tem disso. gera uma falta que remete a afeto e mais querer. uma falta-saudade — redonda, doce. tem mais aí? quero esgotá-la — o tempo todo. emendar uma falta na outra — e pôr de volta a saudade no peito, no colo, na vida... em você — e em mim.

2010/10/07

baby:
ainda vai ficar tudo bem — eu sei. as peças voltarão a se encaixar. o coração recobrará o compasso. a vida se ajustará de novo — eu sei. é que, às vezes, resta apenas uma saída: formatar a memória afetiva. apagar sujeitos, destinos, viveres — e retomar o juízo [do zero].

2010/10/04

baby:
gosto mesmo das coisas simples. de quando os olhares se encontram, de quando a vida caminha, de quando o dia termina.
gosto mesmo de morar no teu silêncio, de acomodar minha vida na tua, de me estacionar em ti — e ficar... daquele jeito assim — enamorada, enfim.

2010/10/01

baby:
eu amo você — na sua doçura acovardada. por isso, o meu lamento. não queria que houvesse medo, esse freio maldito, sabe? queria o desejo se impondo — pleno, senhor de si: nosso.