2010/09/28

baby:
não me esvazia de ti. fica difícil existir assim — afugentar os fantasmas, distinguir bem e mal, ficar/partir. ainda preciso do teu olhar sobre mim — pra acreditar que uma vida limpa é possível. sem jogos & simulações, disfarces & sujeições. porque o meu amor não precisa mentir — nem pretende.

2010/09/25

baby:
não sei me desplugar de você — quebrar a sintonia, me bastar. vai ver é o amor que não obedece aos sentidos — o liga e desliga da vida. desse jeito, fica cada vez mais difícil burlar o destino — pra me doar a novos experimentos. a conexão falha. o olhar se embaralha. e eu morro um pouco mais — de novo.

2010/09/22

baby:
dependo de ti pra sair do desassossego — esse buraco. porque só você consegue. e acho que já é hora de me derramar no colo teu. ficar daquele jeito levinho que a gente conhece. me acomodar no teu peito — relevo entre relevo. no mais, tenho tentado me calar, enquanto a vida acua você — outra vez.

2010/09/19

baby:
estou cansada — visivelmente sem forças, inerte. cansada pra vida. cansada pra novos movimentos iguais. até a escrita em relevo, marcando o verso da lauda, tem estado apagada — em tom de rascunho. sim, eu abandonei as canetas — e já tem tempo. foi inevitável. marcações definitivas demandam certa precisão — a energia do gesto, a sutileza sensorial e a vitalidade roubada pelo cansaço.

2010/09/16

marujo:
você não atrasa a minha vida — você lhe devolve o sentido, com seus olhos tristes e movimentos livres, fora de qualquer linguagem. e é tão bom estar perto da vida, querendo nada que precise ser perfeito — teu mundo oceânico, de vidas embarcadas, noites enluaradas, grumetes ensimesmados. vontade de olhar para frente — e te encontrar comigo, afastando da testa a franja recém-lavada para mais um dia.

2010/09/13

baby:
não precisa se despedir — o abandono já basta. olhar nos olhos seria sacrifício demais — e lhe exigiria mentir. além do quê, faltariam palavras, a voz falharia, e tudo ficaria exatamente como está — no parado. por isso, vou facilitar as coisas: abreviar a história, noticiar o céu e engolir, de uma vez, essas verdades inventadas. a seguir, farei qualquer coisa muito intensa como gritar — antes que os vermes cheguem.

2010/09/10

baby:
as soluções humanas não têm resolvido — e o meu repertório parece no fim. é que não sou assim forte como você pensa — e todos têm certeza. acho até que me cansei de bancar a forte/doce, independente/serena, decidida/leve. me empresta agora a tua mão? quero sentir o gosto da tapioca em cubinhos, registrar o que sobrou da água barrenta nos dedos e tocar de novo o traçado que só ela tem.

2010/09/07

baby:
prefiro os lençóis quentes — naquela temperatura em que o teu corpo coloca o meu. e nada é melhor que estar ali, deitada, naquele intervalo entre o meio da noite e o início do dia, fazendo nada que faça sentido [ou não]. por isso é difícil desaprender de querer mais — de nós, a sós, numa história contada bem devagar, enquanto provamos sonhos melados de canela e açúcar.

2010/09/04

marujo:
não adianta sumir, navegar pra bem longe, se distanciar daqui — o mar vai sempre te levar pra perto de mim. a menos que tudo se acabe, os dias terminem, e a gente desista disso que você chama de ressaca e eu prefiro chamar de desejo.

2010/09/01

baby:
você disse que ligaria — e eu acreditei. claro, levo sempre a sério o que você diz. e só sei ser assim, fazer o que fiz — por mais sozinha ou triste que eu esteja [ou possa ficar]. porque bom mesmo é provocar lembranças — alterar rotinas, atrasar saídas, te desprogramar... por mais que você demore a ligar — pra contar.