2010/08/28

baby:
eu sei que a vida tem disso. por isso é que hoje quero falar ainda menos, dizer pouco — me calar. acho que assim a tristeza consegue ser menor e ir pingando bem devagar — até alcançar o chão. melhor do que sair por aí queimando os outros com palavras cortantes — eles já têm as suas tristezinhas. e não quero que pensem que sou egoísta — porque isso eu não sou.

2010/08/25

baby:
é tempo de suspensão, de pôr em stand by o coração — e o olhar: de fora e de dentro, revirando lembranças. teus pés aparentes — por baixo da porta. os acenos cortados — em pleno dia. teu corpo se desarmando — assim que a insônia termina. gosto tanto de tudo que vejo — sinto saudade. das folhas coloridas, das pétalas caídas, do jardim aparado. saudade da pele encostando, do cheiro se misturando, do sono chegando. e parece que foi ontem — mas não importa:
eu quero de novo.

2010/08/22

baby:
deixa o espanto de lado. já era pra valer — desde o início [ou antes ainda]. a gente é que não sabia. não soube enxergar o que não era visível. privou-se daquilo que costumamos chamar amanhã e que deixamos sempre para depois. pra quando os olhos se cansarem de ser tristes — e os corações se entregarem a abraços cada vez mais compridos e frequentes.

2010/08/19

baby:
não foi dessa vez.
nem da outra.
e talvez não seja na próxima, nem na seguinte — mas depois.
porque meu dia chegará. não voltaria do inferno, se não estivesse aqui — sedento de mim. à espera.

2010/08/16

baby:
preciso mesmo conhecer mais da espera? porque eu achei que já soubesse tudo a respeito — da morfologia à significação, alternando a frequência, dormindo ou acordada. além do quê, tem um sol tão bonito lá fora — e eu queria aproveitá-lo com você... antes de ir embora — ou embrutecer.

2010/08/13

baby:
não me deixa aqui sozinha, vai! compensa a espera, a reserva especial, o plano raso da vida. porque agora eu já sei esperar. também aprendi a controlar os sentidos, marchar lento, transformar loucura em leveza — vazio em beleza —, me apaziguar. você me fez assim — quando me colocou de frente pra vida e, sem dizer, me fez ouvir: você não está mais sozinha.

2010/08/10

marujo:
adorei a exposição: teu reflexo no espelho da casa — redondo, fragmentado. a vaidade pela metade — e sem reservas, porque nem era preciso. você acerta sempre. sabe zelar pela imagem — combinar diferenças, preservar exageros, exibir-se. é sujeito de si — centro do mundo. vertigem desordenada, maré baixa, conforto — e tenho dito.

2010/08/07

baby:
a solidão nasce sem forma. depois, se apropria de nós — até a morte, quando estaremos sós, novamente. solitários em vida — e solitários depois dela. neste intervalo, ninguém responde. a geladeira está vazia, e o vento ecoa dentro de casa. parece dizer que é hora de você descobrir até onde o seu desejo é capaz de levá-lo — de uma vez.

2010/08/04

baby:
não sei o que quis dizer com não me levar tão a sério. minhas fantasias são todas reais, baby — orgânicas, falíveis. e, de um jeito ou de outro, existem porque você existiu antes delas — em desejo, em confissão: profusão da carne, incandescência afetiva, turbilhão. porque é bonito e sensato saber que você existe desse jeito em mim — a ponto de me ensinar a gostar de viver.

2010/08/01

baby:
puta sim — mas de um dono só, como nenhuma outra. altiva, torpe, doce — tua. por adoção, numa reserva contente — secreta & insolúvel, quase imoral. e não há nada que se possa fazer — prefiro assim. preferimos. tua saliva laranja-lima. minha lingerie enfiada. tristezas fingidas & frivolidades inventadas — beirando o febril.