2010/07/30

baby:
jurava que o coração não doeria — não desta vez. bom, jurava outras mil coisas. juras existem para nem sempre serem cumpridas — o que não é bom, nem ruim. é apenas uma verdade, né?! novidade é descobrir que analgésicos potencializam a dor — e que a tua presença me cura, me conforta, me enternece... mais do que tudo. basta fincar em mim teus olhos tristes.

2010/07/27

baby:
preciso de ti pra fazer valer o meu dia — justificar a existência. da voz do outro lado da linha, de um recado na rede, de um fio de presença — sem que haja presença. do contrário, me vejo morrer mais um pouco. diluo quereres, confundo memórias, me sacrifico. porque, às vezes, te amar não basta.

2010/07/24

baby:
daqui, as coisas são diferentes — menos complicadas. daqui, uma saída é possível — o que se invalida se disser que prefere deixar tudo como está. uma vida minada. ares terroristas. liberdade vigiada. você diz isso porque não é com você. sim, não é comigo. na terra do nunca, a gente aprende a pensar em si. e entende que a culpa é algo dispensável — e que se vive sem ela... e as asas de wendy.

2010/07/21

baby:
achava realmente que sabia o que era estar no céu — a banda do alto no jogo da amarelinha. mas isso foi até ontem. porque você faz cada momento valer a pena — e se elevar em querer. por isso, é natural seguir com a loucura. não é assim que quer chamar? ao lado da lua, desenhe o carneiro — antes que anoiteça [ou terei que esperar — até o outro dia].

2010/07/18

baby:
temos menos tempo que ontem, mas ainda é tempo. não quero ter que me acostumar com outra ideia. nem pensar que tudo poderia ser de outro jeito. eu não faria nada diferente. nenhum gesto, nenhum bilhete. acho que preciso ter você dizendo calma, vai ficar tudo bem — pra voltar a acreditar no que insistes esconder.

2010/07/15

marujo:
queria que aquele momento jamais terminasse. que a gente pudesse ficar assim — no parado, alinhavando quereres. você ao lado — meu. eu ao lado — sua. vontade de dizer um montão de coisas, que você saca, eu sei. de pertinho, leio fácil você — sem você saber. você toca o meu rosto, e eu me inclino até tocar você — insistente, carente, prudente... daquele jeito meu... é, eu sei, sabemos.

2010/07/12

baby:
não faz essa cara. não me olha assim. eu não acho ruim você ter muitos corações. o que me incomoda é não conseguir neutralizar tanta tristeza — a de antes, a de agora, a de uma vida toda. tristeza que não vai embora nem depois de mil abraços demorados. por isso, o choro entre uns poucos resmungos — inauditos ou por dizer. não sou perfeita.

2010/07/09

baby:
observo tudo daqui — cada movimento. gosto de estar no cais, ainda que não pareça. agora, por exemplo, o navio começa a entrar no porto. sugere ter desistido dos recuos, das idas e vindas, da falta de rumo. será o seu destino — titubear até que alguém lhe assuma o comando? em câmara lenta, como é tudo visto daqui, as coisas se demoram ainda mais — tornam-se inconfessáveis, tristes, nulas.

2010/07/06

baby:
não procure o sentido das coisas. não dá pra ser experiente sempre. calcular cada passo — antecipar-se na disposição das cartas. a vida é assim. perfeita porque imperfeita. e é isso que nos move. a falta de jeito, o desejo de tocar o final das coisas, cada novo ensaio. porque viver é recomeçar — a cada dia.

2010/07/03

baby:
não pretendia me livrar do cheiro. do desenho retido no leito. da saudade que passaria a sentir. pretendia costurar as energias. ser previsível e inocente. me declarar — adiantando a história. porque assim vai ser — e não demora. já nos vejo lá na frente.