2010/06/30

baby:
vem, me toma pra si. me ajeita no colo, no teu lado na cama, na vida tua — de vez. porque a rotina merece outra chance. novos retratos, novos domingos, novas histórias. teu cheiro ao meu misturado. meu sorriso alargado. mil dias de sol — após mil noites de fúria.

2010/06/27

baby:
eu não agiria de outro jeito — e não espere isso de mim, por favor. meu desejo assume outras formas — num espelhamento que você parece enxergar, por mais que não o revele pra mim. e amor, baby, é isso. so soft. é conservar o querer a distância e perpetuar o cuidado — sem impor policiamentos, devolutivas, saldos. é abrir mão da presença — para fazê-la maior do que ela mesma é capaz de ser, sem saber.

2010/06/24

baby:
a intimidade me deu um olé — e agora eu sei. sei que 100% à vontade com você não existe. a falta de jeito ficou saliente — por isso, eu saí de lá pedindo escusas, implorando perdões. por dentro. por fora. por todas as vidas — e todos os encontros. e você me entende — eu sei. entende que só quis viver a vontade de estar ali — encenar o frame da vida, que nos juntou [outra vez].

2010/06/21

baby:
desenhei mil cenas mentais com a gente hoje — é bom me sentir cada vez mais solta. com o corpo, a presença, o jeito. e com as palavras, as frases-feitas, os escritos tatuando o espelho da casa — e ressurgindo quando o banho termina. não adianta apagar. são os fantasmas do amor? sim, a devolver o sentido, reacender os sinais, numa insistência forçosa. pois é preciso suprir a deficiência do olhar — à luz do dia ou na penumbra.

2010/06/18

baby:
é difícil pensar noutra coisa depois que lavou minha alma. aquele banho instituiu a intimidade. por isso, me diz agora o que faria se, de repente, eu faltasse — e não houvesse mais tempo, feito o jardim esvaziado da rosa no galho. porque eu também não preciso morrer pra ser tua.

2010/06/15

baby:
não sei ficar sem escrever. acho que a saudade me enche de palavras, me deixa prolixa, um rádio ligado. às vezes, penso que é uma forma de me sentir menos sozinha e fazer a vida voltar a andar très doucement. o que nem sempre acontece. conversa para divã. me escreve? está difícil controlar a ansiedade.

2010/06/12

marujo:
puf. o extrato do amor acabou — por isso, volta. é preciso repor o cheiro, acentuar o perfume e introduzir teu tempero salino. preencher as lacunas afetivas, enquanto o corpo agradece, involuntário, e os quereres se ramificam - ao infinito.

2010/06/10

baby:
não deveria ser difícil entender que meu dia é tão melhor com você dentro dele — e nem é preciso ir longe. poderíamos apagar todos os demais — ou boa parte deles, sem exageros, eu juro. tua falta é contraindicada pra mim, quase mortificante — feito esses dias cinzentos de inverno em que chuva e chuvisco se alternam no céu [e a gente se obriga a carregar guarda-chuvas].

2010/06/07

baby:
dissolve logo essa tristeza — despeja tudo num balde com água. não há respostas para certas perguntas — é simples. a menos que queira inventá-las — eu me ofereço... que tal? na esfera afetiva, as respostas se apresentam diluídas — é preciso juntar os fragmentos [uma palavra não dita, uma ligação fora de hora, um descompasso, duas certezas].

2010/06/04

baby:
é impossível mapear a experiência amorosa — porque não há como prever o futuro, somente imaginá-lo. a proximidade não constrói amor. o viver juntos não mantém laços de sangue. o afeto exige mais. e quem fala sou eu, baby — esta solitária às voltas com o espectro da despedida, com os velhos fantasmas e um leão de nome medo. pois compartilhar as biografias demanda muito mais que coragem e desejo — demanda encarar este mar imprevisível e surfar até transcender [ou cair].

2010/06/01

baby:
intimidade gera intimidade, como aquela vontade de costurar pele com pele — e diluir a distância, porque se quer mais do mesmo. penetrar no mais fundo. conhecer os segredos. violar o inviolável. entrar — ficar. pra estender o desejo que imagina conhecer, afastar os quereres que insiste em temer e se entregar ao apego que teima evitar, sem sucesso.