2010/05/31

baby:
nossos quereres respondem tudo — com uma simplicidade que evitamos enxergar. porque a verdade arreganha seus dentes — é saliente, colorida. e você sabe de cor o que nos liga e incendeia — os cuidados comigo e cada capricho atendido. pois me ama sem perceber — me conforta e abriga dentro de si. é isso tudo que justifica a sintonia e o zelo, mantém a vibração e o desejo — e não nos deixa partir.

2010/05/27

baby:
eu assumo a saudade — e o risco. admito a surpresa e a falta de jeito. não vou me privar de você. por isso, me deixo sentir. declaro a saudade — [a] externo sem rédeas, me desnudo. nada é mais importante. preciso viver: pra estar com você — bem perto.

2010/05/24

baby:
hoje quero ser especialmente tua — pequena menos menina, niña flor... ou talvez devesse começar de outro jeito esta carta. como assim: hoje, baby, quero viver-te sem freios — sutil-imperfeita. me embebedar de ti, sorver o melhor da safra, tragar-te antes e depois do sexo — pra nada dizer a seguir. nos laços desfeitos, meu presente, meu passado, meus dias.

2010/05/21

baby:
às vezes, insisto nesse meu jeito de dizer obviedades. fico repetitiva, um velho vinil arranhado. fazer o quê? gosto de ouvir as palavras em volta, conversando. admiro o eco, o movimento delas no céu, o som da batida na costa. por isso, não quero parecer chata ao dizer que o corpo desaprendeu de dormir sozinho. que rodeia fundo na cama à procura do teu. que é nele que quer se aninhar — até o outro dia. e o seguinte. e depois.

2010/05/17

baby:
o belo não deveria causar estranheza — apenas gerar mais beleza. por isso, evite temer as palavras. eu as embrulho antes de entregar a você — deixo de molho, em suspenso. a seguir, anuncio a surpresa. suavizo o impacto. me antecipo nas emoções — te previno do susto. porque já conheço você. minhas peraltices de amor não são impulsivas, baby. são imperfeitas.

2010/05/14

baby:
por que desligou assim? eu pretendia esticar a conversa — até gozar do outro lado da linha. porque me imaginei deitando o desejo no espaçar lento da tua voz; acompanhando, com o corpo, a melodia do timbre; vivendo o enredo real-ficcional; me excitando contigo — a distância [e por horas].

2010/05/10

baby:
não importa o destino — eu quero estar com você. nos braços, sendo guiada. porque você cuida de mim, sem que eu precise notar. isso simplifica o afeto, significa a proximidade revisitada, se reflete em você. o que nos confere uma alegria como nunca antes — o sorriso do amor, fortalecido a cada abraço.

2010/05/07

baby:
como deus resolveria isso? com seu olhar infance — alheio a complicações, desvios intelectuais, prolixidades. com aquela simplicidade esquecida na infância, quando a vida sabia ser leve, porque éramos leves com ela. mas a gente desaprende de viver soluções simples. desconfia da leveza sutil-evidente das coisas. duvida do que se oferece sem contrapartidas. prefere o lado avesso da cena — enquanto deus se diverte com a gente do céu.

2010/05/04

marujo:
todos os dias são teus — por mais que anoiteça. isso é ser sol. estar em todos os lugares — sempre. irradiar-se e ser esperado — com precisão de chegada, partida e retorno. o que ajuda a entender certas coisas. missões assumidas, vertigens afetivas, preocupações. não sabe ser diferente, né?! mas nem é preciso. a felicidade sabe reconhecer brechas e se instalar — a menos que não queira.

2010/05/01

baby:
sei que deseja ser aceito. que um fundo de culpa te cobra isso — impositivo. mas não há com o que se preocupar — tudo é questão de tempo e proximidade, como pede o afeto [sem pressa]. porque a mama, baby, já adora você — apenas não sabe... na teia do amor, as dificuldades perdem força, para gerar mais do mesmo — e multiplicá-lo, ao infinito.