2009/12/31

baby:
em pleno natal, cravei teu nome no livro das intenções — em terras distantes daqui. a casa de deus está onde o amor está — coberta com ouro ou sapê. e talvez nem brasileiro ele seja. naquele momento, ajoelhada sobre o mosaico do chão, senti que era ouvida, que conversava com ele — e o tocava com fé. saí de lá fortalecida. é por isso que agora sei que tudo vai encontrar seu lugar — o terreno do amor. a luz divina será teu melhor guia — pode confiar.

2009/12/28

marujo:
ainda me faltam: um minuto ao lado teu — pra dizer de mim; uma noite ao lado teu — pra dizer de nós; uma vida ao lado teu — pra dizer do amor. e ainda vai ser pouco.

2009/12/23

baby:
chorei — na formalidade protocolar —, do outro lado da linha. contidamente, porque não pude aguentar. queria que fosse de outro jeito, mas cheguei tarde, depois de todos — eu sei. e nada justifica entrar em conflito. até porque não posso guerrear — minhas armas são outras: de brinquedo. e, assim, adio, mais uma vez, a tentativa perversa de admirar o natal. não há laços que o justifiquem — nem afeto.

2009/12/20

baby:
não posso acreditar que a elite do amor não exista. quero vivê-la — contigo, atravessando estações, inventando cuidados, somando silêncios & declarações. tudo sem precisar enterrar desejos, submeter o gozo a amantes sem rosto, me sentir menor — pior. só passarei a sorrir no exato momento em que encontrar o sol no meio do dia, no centro da casa, dentro de mim.

2009/12/16

baby:
pra ser sincera, achei que agora seria diferente — e não há entrelinha nisso que digo. está tudo aqui — na linha: documentado. porque quis, no meu querer estendido, que fôssemos par — e quase senti que éramos um. mas me enganei — outra vez. e não quero que se torture por isso — por favor. nessas horas, sinto como a existência é precária. como um gesto pode fazer diferença. e como me fragilizo diante de ti, desgovernada. o choro me escapa, e eu adoeço. a pele arrebenta, nas extremidades, e manchas escuras se depositam nas pernas e quadris. dói ter que aceitar que estarei sozinha — de novo.

2009/12/12

baby:
não precisa pedir — me preocupo contigo. e não adianta dizer que não é necessário. a preocupação vem colada ao afeto, aos laços que se tateiam, à vida compartilhada — com seus encantos & conflitos. por isso, busquei nas cartas um certo alento, indicativos de um futuro que acenasse feliz. foi o jeito de mostrar que tudo vai ficar bem de novo — e logo. o touro fincado na terra — a evangelizar [num templo outro].

2009/12/09

baby:
não sei o que nos aguarda — além da cumplicidade, no curso da história. a rotina do afeto [e dos dias iguais]. os chororôs de saudade. as brincadeiras salvas da pressa. o samba no enredo do lar. e pensar nisso tudo é prever a extensão da história nossa. enxergar meu melhor no teu melhor e pressentir leituras labiais, ternurinhas e agrados. a discrição do amor. porque viver você é colorir a vida minha — com milhares de tintas e pincéis — e me ver no teu reflexo. feliz.

2009/12/06

marujo:
quis você comigo lá — em cada minuto. na hora da dança, dos pratos na mesa, dos preparativos e das arrumações. antes de tudo — e ainda depois. pra me abraçar de surpresa. beijar o pescoço. me encabular — na frente de todos. e nem penso no que se diria de nós. do volver nosso. da estampa do rosto. dos dentes à mostra. do calor. e, assim, passei o dia — te mantendo por perto, dono de mim. a menina sereia [deitada sobre o convés] à tua espera.

2009/12/03

baby:
eu achei que precisava de você — da palavra certa, na hora incerta. pra me dizer o que fazer — quando não sei o que fazer. mas agora se passou tanto tempo que não consigo lembrar se ainda preciso de você. um ano e meio ou um pouco mais — dois anos inteiros talvez. mil dias/mil noites — em que gostei de você com aqueles olhos pálidos, vazios de brilho e lágrima. vazios de vida, mas cheios de amor.

2009/12/01

baby:
te navegar por dentro é, naturalmente, não resistir. amar por antecipação. deitar a teus pés. e desejar, sem romantismos, prolongar a vida — num corpo outro. a nossa semente. agora eu já sei como é abraçar — com o coração. ver o belo invisível e, nele, adoçar os sentidos. viver um tempo distinto, em que os minutos não têm validade. porque importa a conversa que fica. o cheiro & o desvelo. a pulsão. por isso é tão difícil negar o que há na história nossa, o dito ao pé do ouvido — e o que se silencia.