2009/11/28

baby:
de tudo e de todos, me falta você — pra dizer da vida, das coisas, do nada. o touro que entra na arena e enfrenta o adversário, baila com ele e se exibe pra mim — repetidas vezes, como se fosse a primeira. porque muito há por fazer. o teatro de ana. as leituras de clarice. os passeios fora da arena. tudo que não vou pedir. porque o tudo já está dado — disposto sobre a mesa quadriculada, entre os copos com água, os sinais recolhidos e as pistas guardadas. não é preciso escavar.

2009/11/25

marujo:
tamanha solidão não permite comparativos — não há dimensão que se equipare. a grandeza dos mares. a miséria humana. a força da fé. por isso, tenho medo do que possa existir por trás — de pior. além do céu, além da dor, depois da curva que o amor desenhou. teu olhar empoeirado sobre a nitidez do retrato? bastaria sumir, dizer adeus, rastejar até o inferno. queimar — da carne ao osso. assumir o gesto, o protesto e dar as costas ao touro que evita entrar na arena — ao contrário da flor que nega a dificuldade de nascer, furando a solidez do asfalto.

2009/11/19

baby:
espero de você o que todo mundo duvida — que faça e aconteça: agora e por mim. porque há sentimento aí. um bem querer instalado. uma alegria gratuita, que desperta, naturalmente, na minha presença. e aquela preocupação que nasce com o afeto e passa a conviver com a gente — o tempo todo. espero de você esse amor que se diz fraqueza — e não é. não quero acabar de viver achando que não vivi — nem você.

2009/11/16

baby:
eu deixo você me querer — e nem proponho ressalvas. leve assim. escrito nas estrelas, no fundo do mar, no diário do céu. já leu? eu leio contigo, de bruços na cama, fazendo caras e bocas e até ensaiando umas reboladinhas — sutis. um charme. gosto de compactuar contigo — e vice-versa. emendar o desejo, provar da carne e do beijo, ser tua — a fêmea a tiracolo, no meio do mundo, enquanto tua bossa me governa, protetora, e a gente transita [de um cômodo a outro].

2009/11/13

baby:
não se trata de resignação, passividade ou qualquer outro nome que queira dar. é algo bem perto do respeito. daquela filosofia afetiva do não-pedir — que se aprende na sisudez dos dias, das noites, da vida solitária. porque pedir é fácil. difícil é abrir mão do que se deseja — mais do que a própria vida — e sobreviver, enquanto a saudade ressoa [pulsante].

2009/11/10

baby:
nada mudou por aqui. talvez porque não tivesse que mudar mesmo — desvio zero. um padrão. uma convenção. essas coisas que existem aos montes por aí — e que, às vezes, a gente até se pergunta por quê. é comum que se queira entender o motivo. principalmente quando a gente não concorda com isso que se coloca, assim, de bandeja. se eu fosse você, vivia já esse amor que te rodeia — mesmo que seja tarde. é sempre um pouco tarde. depois você tenta entender — tudo que quiser.

2009/11/07

baby:
não entendo por que ainda estranhas os copos com água espalhados pela casa. a transparência não deveria gerar estranhamento — apenas ser vista como um jeito de dizer que nada há para esconder. e que a proteção é algo natural, um gesto de alegria — teu braço sobre o ombro meu. a simplicidade do afeto, do amor que nos mantém ligados — mesmo distantes.

2009/11/04

baby:
te escrevo do meio da aula — prevendo acontecimentos. nada tenho para anotar — nenhuma palavra, esquema ou referência. estou longe e entendiada com exibições falseadas — e a cabeça dói. acho que é de saudade. da falta do bem que você me faz — fingindo não perceber. não tenho notícias de ti — um telegrama sequer. e a culpa, pelo menos desta vez, não é dos vizinhos. que se foram.

2009/11/01

baby:
tento buscar nas cartas as respostas que a vida não me oferece — mas nem sempre consigo. não sei o que acontece. algum palpite? no fundo do fundo do fundo que só você e eu conhecemos, eu queria apenas evitar o abismo. e essas tolices todas que vivem a me assombrar — insistentemente. também não sei o que acontece. eu é que deveria assombrá-las. colocá-las pra correr daqui — depois de tripudiar sobre cada uma. seria engraçado. ou triste. porque o fim sempre guarda uma tristezinha. pequena que seja.