2009/07/29

baby:
minha histeria é controlada — por isso, adio escrever sobre certos assuntos. a delicadeza emocional pode ganhar proporções indesejáveis. e, assim, vou ruminando a ansiedade. gosto de amadurecer com o tempo — e não é covardia. as coisas não precisam ser apressadas. a natureza sabe como gerir o gestar do amor — sem atropelos. e nada é mais real que o real que te beijar novamente e achar que é a primeira vez. contigo, conheço uma serenidade irreal — teu fetiche-feitiço. dentro dele, me faço outra, persona comandada pela ficção que te prende a mim.

2009/07/26

baby:
faltou pouco — pra copiar as crianças. a ciranda do amor é contagiante. os braços viram asas — e antecipam o abraço. desta vez, vieste do céu [não do mar]. e, até te avistar, me entretive com os pequenos no hall de espera. reféns da ternura, sobrevoavam barreiras indefesas. o afeto em disparado — das crianças-trouxinhas. empacotadas [pelas fantasias de inverno], desafiavam limites ultrapassáveis. porque a saudade dispensa bases protocolares. a distância, acompanhei teu trajeto — a minha captura. e os olhares não demoraram a se cruzar. o amor saiu na frente — pra buscá-lo.

2009/07/23

baby:
a normalidade não me excita, apenas me ajuda a seguir adiante — como se eu quisesse. às vezes, acho que é a tormenta que me falta. um vendaval que me arraste daqui e me faça mudar — sem alternativas. algo que me provoque e me mova a arriscar — tudo ou o pouco que penso ter. porque meu tempo está chegando ao fim — e é teu direito saber. me ajustar ao teu time talvez não seja possível — feito caber na vida tua, por mais que a gente se afine [e se queira]. possível é, ainda, abdicar do amor — por amor [e doçura].

2009/07/21

baby:
você ainda não disse como me saí — ao te servir. e talvez nem chegue a dizer — o que não importa. não parece muito teu jeito — e não vou cutucar. sabe que tuas enunciações são bem-vindas. porque você sempre sabe o que dizer. e sempre encontra uma forma de dizer que me quer perto — aninhada e tua.

2009/07/19

marujo:
sim, eu senti tua falta — all the time. enquanto estava lá — e antes ainda. fingi ter tua guarida amorosa — no meio da multidão. teu olhar contemplativo, me fazendo mulher. o corpo em riste, me sustentando de pé sobre o scarpin cetim. a presença física, me protegendo de tropeços & empurrões. sim, eu te imaginei comigo — e foi bom. sempre é. a ficção apazigua o querer, confunde a memória, desafia a saudade. porque tudo é mais viável que subverter o pensar, mesmo em noite de festa.

2009/07/16

baby:
vai mesmo deixar passar? isso que chamo leveza — e você prefere chamar de paz. uma serenidade sempre miúda — perto da tua. imatura. caloura. juvenil. minha linguagem é outra porque contorna o gesto, dá voltas pelo corpo, se enovela antes de dizer — quando não cala. nada de bate-pronto. conversar é estacionar minha presença na tua, largar todo o resto e deixar que o desejo selecione as palavras, o ritmo, o tom de voz. e, se ainda não disse, aí vai: não me deixe passar. não desta vez.

2009/07/12

baby:
eu sei — de tudo isso. você sempre me alertou a respeito. sempre se eximiu de amar. sempre. sempre — eu sei. apesar dos avisos seriados, quis não acreditar. a linguagem do amor é repetitiva — pensava, olhando em volta. assim como pensava que, desta vez, seria diferente. e possível — sentia. porque és forte. encontras, em mim, algo que o envolve, embora não saibas dizer o que é — e não é o meu olhar somente [pode apostar]. vai ver é porque comigo podes simplesmente ser — sem exigências sociais, performáticas, contratuais. juntos, somos acaso, virtude, desvelo. juntos, somos plenos.

2009/07/10

baby:
a certeza te afugentaria — e a mim também. porque o mistério é que nos move. a possibilidade de agir com precisão e acertar. a incerteza de saber se o outro realmente vale o que dele se imagina. sei que te perguntas se sou calmaria e não tormenta. se a resignação está com os dias contados. se deves reformular teus contratos, rever o cotidiano, apostar em mim. de braços dados, mudaria por ti. enfrentaria dragões & serpentes. te serviria de mim — e guardaria teu gozo açucarado. é inverno, e a praia nos espera. nas tardes de sol sem nuvens. nas manhãs em que as ondas estão convidativas, enquanto eu te observo abrigada do frio. a gente se encaixa — e não é de hoje.

2009/07/07

baby:
o que mais eu preciso fazer? amanhã pode ser tarde — e tenho medo. tarde demais para aprender a instaurar a leveza em ti [quando emprestar a minha não bastar]. neutralizar o pesar do corpo e a angústia da alma. porque você não imagina como é duro não conseguir acalentar a tua dor. e, assim, temo, cada vez mais, ter feito tudo errado outra vez. perdido o time. deixado de dizer [fazer] o que gostaria. me encolhido em mim mesma em vez de extravasar contigo. difícil tentar enxergar o que não chegou a ser. o que extrapola a linguagem me é tão distante e fugidio que às vezes duvido que exista além de mim.

2009/07/05

baby:
qual a envergadura do teu querer? porque tudo vai depender dela. de como me quer — e quanto. se, entre os dias e as noites, nas madrugadas de outono, no entardecer de todos os próximos verões. parece pouco — e é. uma vida inteira ainda seria pouco. algo sempre escaparia, deixando lacunas, gestos interrompidos, silêncios que se pretendiam discurso. por isso, te escrevo — por mais que não dê conta de ser plena. não há plenitude possível. reunindo meus escritos talvez seja mais fácil capturar a verdade que tanto procuras.

2009/07/04

baby:
quando receber esta carta, estarei fora do ar — desplugada. distante do alcance teu. das investidas sutis. da placidez discursiva. de tudo que me alucina e estremece. e não me procure — não vai me encontrar. melhor conviver com o mistério alheio que tentar entendê-lo, não é?! aprendi com você a ir sendo com as coisas. e talvez você tenha razão — melhor deixar assim: a história em suspenso. doce no que se fez de real. excitante no que não se fez. intensa no que se quis. imensa no que se desejou. e, sobretudo, plena nas memórias que reuniu e hoje volto a montar, prolongar, editar nas madrugadas de mim.

2009/07/03

dear:
certos silenciamentos são involuntários — bloqueiam o corpo [interrompem os gestos] e impedem qualquer forma de procura. por isso, não pense que o esqueci — ou que o substituí por outro alguém. não é nada disso. não assuma uma culpa que não é sua — você já carrega culpas demais. a pequena donzela às vezes não cabe em si — de tanta dor. e você sabe, como ninguém, como é se sentir assim: na lama. natural se pensar que é preciso esgotar a fossa antes de recomeçar do zero — ou do um. este grau possível visível. quem sabe faça como você. doses diárias de homeopatias baratas e uma rotina menos urbana, incluindo a macrobiótica. acha que eu conseguiria? sim, a menos que não me queira dar a mão.

2009/07/01

honey,
desta vez pareceu de propósito tua falta de notícias. era mesmo para ser ou é culpa da cidade, que engole a donzela, a gata borralheira, até o vestido? medo de dar bandeira, quem sabe. peça de cetim & seda solta ao vento. eu, por cá, estou mais leve e menos tendencioso. uma flâmula. muito por causa da água de melissa. uma dose para dormir todas as noites. também o reiki que, acho eu, está limpando os trilhos do corpo e os chakras enlameados. aguardo teu retorno, a disposição ambígua pela cidade e o coche desgovernado pelas ruas.
seu, sempre.