2009/01/29

baby:
se pudesse congelar uma imagem, tuas mãos estariam nela. lindas. envoltório — de sonhos e quadris. meu sol poente. nelas, tua plenitude se permite existir — contra qualquer castração. é um capítulo à parte. tua identidade cristalina [sobre o meu desejo guardado]. nossa forma perfeita — escancarada.

2009/01/27

baby:
me abastece de ti, antes de partir? não é para sempre — eu sei. juro não fazer cara de choro, mas me agarrar à saudade [pra turbinar o desejo]. no fundo, sei que irei contigo — sem alardes. e que estaremos próximos — já somos um. viagens te fazem bem. preenchem a tua memória feliz. e aquecem teus sentidos. vai ver teu coração consiga se refazer por lá. vai ver os ventos voltem a mover os moinhos. e a vida recomece a caminhar exatamente assim — no tempo teu. um grau zero possível. te beijo.

2009/01/23

baby:
hoje meu choro nem é de saudade. hoje a tristeza não chega a ser triste. a confusão se armou — e é por isso que escrevo. pra dizer da vontade do esteio teu. do enlaçar das ternuras. do romantismo confinado. não sei lidar com a tontura das sensações. minha reação parece se resumir à fragilidade do encolhimento — a reclusão que toda solidão prenuncia. minha perícia emotiva [e seriada]. talvez eu jamais possa viver esse gostar apaixonado, inventar segredos contigo, te povoar de mim. o amanhã é mesmo nunca — um porvir cabisbaixo [e bobo].

2009/01/20

baby:
às vezes, penso que meu jeitinho blasé enfeitiça você. o olhar comprido. a reticência verbal. a falta de jeito. e só sei ser assim — espontânea nos risos soltos, discreta nos quereres que nunca acabam. conservo a delicadeza na estampa e a intensidade nas frases de afeto e saudade — meus escapismos sentimentais ou a tua leitura atenta de mim. estar no teu mundo é ter assunto [e vida] para narrar — um apego transcendente, um sentir sublimado, um bem-estar preguiçoso [que me envolve].

2009/01/18

baby:
descobri o sabor da vida, ao bebericar você. ao extravasar a falta de jeito. incorporar teu fetiche. e encenar com você — um desejo instantâneo, um amor pueril, uma fantasia volátil. nosso episódio — para além das molduras da mente [e das couraças morais]. tua fêmea-objeto e seus quadris inquietos. você em mim. na simulação do meu silêncio saciado. do teu torpor suavizado. do nosso enredo planejado. o gelo, enfim, quebrado. e a liquidez dos laços reinventada — livre das frestas privadas [e das notas de rodapé]. até o dia clarear.

2009/01/14

baby:
perto de ti, minha alegria nunca é triste. meu silêncio enuncia. meu coração destrava. e eu volto a viver — só você não percebe. tua luz irradia em mim. porque és, sim, sol em mim, luar sem fim — um exagero. minha metade açucarada. minha paciência esticada. meu puxa-puxa. e nada disso é segredo. basta se observar em mim, entre reflexos & reações — e encontrar teu melhor [reformulado].

2009/01/11

baby:
há meses, deixei de comprar flores. sonhar acordada. me embriagar. joguei fora a chave do céu — por inocência, descrença ou tolice. talvez quisesse estar além do céu, do véu, do mel. um pássaro livre. um flâneur. meu deserto lunar. foi quando ouvi dizer que o amor conserta tudo — e acabei gostando. quis voltar a te inscrever no dna das coisas. a ensaiar festejos & provocações. a me erotizar em caras & bocas — versos simples & enunciações bobas. desligar o juízo e agarrar você.

2009/01/08

baby:
meu medo parece ser sempre o mesmo que o teu. somos próximos nisso também — sujeitos espelhados. sem querer, evitamos o espaçamento do tempo e dos corpos. é como se os desejos flertassem a distância, movimentando as rotinas e tudo mais — naturalmente. por isso é tão difícil dizer adeus. imaginar uma não-presença definitiva. a cama vazia de si. os risos interrompidos. um ponto final. meu silêncio [e o teu].

2009/01/05

baby:
é melhor desistir. o agora é irreversível. um instante-já. um adeus sem eufemismos. um corpo nu. estrangulei a vaidade. enforquei datas, pudores & convenções. elegi o anonimato e as letras — é o suficiente para viver; não preciso mais. a simplicidade é o caminho — como você já dizia. e, ademais, respostas e perguntas são dispensáveis por aqui. dois vendavais. um dia você vai entender.
p.s.1: desta vez, não me escreva, por favor.
p.s.2: no céu, os correios não funcionam [nem os abraços de ternura].

2009/01/04

marujo:
recolhi tua alma ao visitar tua memória em preto e branco. ao improvisar legendas às fotografias. ao emprestar meu ouvido ao que a objetiva não conseguiu registrar. teu passado revirado num envelope rasgado. nesse dia, você se abriu pra mim, baixou a guarda e me convidou a entrar — sem nem perceber. foi quando flertou com o sossego — e por lá me encontrou. não me leve a mal não. eu precisava te contar. pedir que não confunda amor com repulsa. olhos de gato com faróis de neblina. minha languidez com ranhura. recolher tua alma não bastou para receber teu corpo — o que somente se faz no amor [entre dois silêncios].

2009/01/03

baby:
finja agora que morri por dois dias. a seguir, conte o que sentiu. ou escreva — você é bom nisso. vou gostar de saber [e reler]. no mais, sabe bem como eu sou. que a gente dá certo no improviso. que ganho você no riso. que entendo o necessário. aquilo que importa — o que encanta, aflige e consola. que a gente se acerta na preguiça, no entrevero, nos ensaios profanos. que me perco na safadeza e me deleito no jeito teu — aceito teu jogo, me reviro, mudo as regras, te tonteio [num calar encolhido]. és eco em mim. meu badalo — lá dentro [onde larguei o coração].

2009/01/01

baby:
estou frágil — pela primeira vez. te escolher não me livrou dos insultos. da ira infundada. da verborragia. minha singeleza me traiu — e isso é tudo que posso pensar. veio dizer que ainda não és meu escudo [meu prumo] ainda que volte a te eleger meu porto — seguro —, num piscar de olhos [num pisca-piscar].