2008/12/25

baby:
meu desejo não cabe em mim. porque se vale da tua presença-ausência. desse jeito cigano de amar e dizer que me quer por perto — entre ressalvas & altas doses de saudade. talvez eu até entenda o estender do tempo [nosso] e o esquivar periódico [teu]. aprendi a ser generosa — admirando você. a simular certa paciência com o desalinho materno e a reconhecer que tudo na vida é merecimento. cheers!

2008/12/24

marujo:
talvez eu queira mesmo dizer sempre mais do que aquilo que realmente enuncio — minha leveza formulada? maybe, my baby. difícil saber a verdade — e mais difícil ainda querer saber qual é a minha verdade. as verdades só nossas. o que se esconde por trás dos olhos pardos. dos segredos mais tristes. da tua vida lacrada. de tudo que aflige a tua doçura mais minha. talvez eu queira somente dizer a verdade mais pura — sem poesia ou jogos de linguagem. deixar meu de dentro sorrir com candura. me desarmar [no amor].

2008/12/21

baby baby baby:
de que tamanho pode ser a saudade? queria guardá-la no armário, ao lado das peças de inverno, pra resgatá-la daqui a algumas estações. hoje ela parece querer me engolir, reduzindo-me a nada — ou ao que possa restar de mim além dessa saudade amarga e cortante. não bastasse a fadiga no peito, no humor, no desejo, os soluços recomeçaram. e é inútil disfarçar quando o corpo dita a repetição dos pensares [com seus movimentos involuntários], o remontar aos escritos documentais e às sutilezas nascidas de afagos furtivos. já não posso esquecer você — a natureza desobedece. mesmo porque tudo que não quero querer é querer esquecer você, my baby [baby, baby, baby].

2008/12/19

baby:
estou doente de amor. e, na falta do encontro, escrever vilipendia a minha dor. hoje lerá o que talvez devesse escutar. os excessos e as privações discursivas. seus fundos falsos. suas escoriações ilegítimas. suas enunciações exageradas — tudo que tenho a dizer [mas não consigo]... fecho os olhos, e é contigo que estou. é noite de festa, casa cheia, pinheiro gordo [laços dourados, pisca-pisca]. falatório, cantoria, magia — crianças à mesa, mais você e eu. historietas [olhares atentos]. talheres caindo. taças de vidro com água de bolinhas. é natal. e eu estou feliz.

2008/12/14

baby:
retirei do baú a velha polaroid. você me devolveu a vontade de fotografar — daí para o clicar-clicar é um tapa. um tapinha. um á. um ai... meu deus, que vontade que dá. de sair cantarolando. inventando poses para enquadrar o tempo, o vento, o litoral. clic. clic. clic. a natureza emoldurada. o amor no porta-retrato. nossas levezas impressas em papel fotográfico. fosco. com brilho. novos móbiles narrando a história — de duas vidas que vêm se engendrando entre um milagre e outro.

2008/12/09

marujo:
a tristeza derrubou teus olhos — eu sei, embora não estivesse lá [quando isso aconteceu]. tua memória emotiva mora ali, e eu posso enxergar — até o fundo, lá onde se esconde o sossego. teu enredo amoroso. vejo tudo que quero e também o que não gostaria de ver. tua ingenuidade preservada. teus medos. a viuvez do amor. um fio de esperança... por isso, se ainda achar que vale a pena, venha brincar comigo. garanto sorrisos e sussurros — minha doçura secreta [e a safadeza que queira inventar]. todos os dias.

2008/12/07

baby:
não é preciso colher teu cheiro na água que escorre pelo ralo. banhar o corpo em nada interfere as inscrições guardadas na alma — e pensar assim seria insensato, não é?! me apropriei do cheiro teu, ao polvilhá-lo no canal da memória — entre metáforas & impropriedades. meu bê-á-bá emotivo — nossa máxima intelectual. a envergadura da intimidade desconhece limiares, feito você no desjejum matinal — a inspirar desejos de mesa posta, café no bule, queijo quente. déjà vu. tua fêmea se exibindo além do leito desfeito, enquanto o lençol escorrega para desvelar o dorso despido — minha oferenda.

2008/12/01

baby:
hoje juntei a garrafa que lançou ao mar — pra me encontrar. dentro dela, eternizou alguns dos nossos mais belos segredos. nossas fantasias — conhecidas de cor. saídas do espelho. chamego chama chamego [e vice-versa], lembra? embora tudo pareça tão óbvio, às vezes, a gente escolhe fugir do espelho [pra nele não mais se enxergar]. bobeirinha, você diria [com razão], acertei? fique agora com a minha mensagem. se a garrafa alcançar você, saberá o que guarda um amor silenciado. basta extrair o lacre, arrancando a velha rolha.