2008/08/31

baby:
os escritos de si nada têm a ver com a impotência da oralidade. escrevo porque me falta você ― e já não tenho com quem conversar. dizer do entusiasmo pelo saber alheio, da efervescência mental. resta-me, assim, recusar o vazio que vejo ― e evitar espaçá-lo no tempo. porque ainda quero ser brisa. uma presença bem-vinda. uma presença que apenas construa. interlocução & interação, como só a presença permite. uma saudade que fica. uma saudade que finca. pra esburacar o silêncio esticado do teu aceno abraçando o meu.

2008/08/24

marujo:
não sei digerir você, apenas estar à espera tua ― e em silêncio. num calar que, mais que esconder a dor, silencia o amor ― para abafar o desejo [e a falta tua]. e desejar é isso. cultuar a falta. fazer-se engenhoso na generosidade, ingênuo na fantasia. por isso, te ofereço tudo [sem nada pedir]. a palavra e o gesto. os medos e os sonhos. a carne e o para-além dela. minha ficção é viver você.

2008/08/22

baby:
a carícia solitária não apaga a saudade. precisa de platéia. de dois sujeitos. de você — meu par. o gozo solitário, no fundo, deve ser outra coisa. infinitamente menor. e um tanto egoísta. algo como descoberta de si. conhecimento & convencimento. e a intimidade é mais do isso. pede partilha e memória. interlocução e envolvimento. desejo & enlace. cumplicidade de cama, mesa, banho — sonhos e segredos. vida pública. ainda quero, sim, decorar teu corpo. a textura e a temperatura. entender tua mente e teus temores e reproduzir, com você, o bailar dos corpos. gozar pelo cheiro, pelo toque, pelo tom. te amar — pela palavra.

2008/08/20

baby:
a vida encostou nossos destinos, depois de aproximar nossos desejos. e não há nada de errado nisso — o tempo vai mostrar [o que do céu já é possível enxergar]. a gente não deve evitar o que é bonito. a gente deveria viver o que é bonito. instaurar a beleza e a leveza em atos e pensamentos. feito eu com você, você em mim, um no outro. a natureza alinhavando os corpos. o instinto regendo os movimentos. e o universo torcendo a favor. é por isso que nossos corpos se procuram tanto e que eu [com ou sem permissão] vou querer você. dentro e fora dos meus sonhos. na poesia e na cantoria. puro exagero. uma explosão.

2008/08/10

marujo:
você me ganhou no dia em que disse que gostaria de viver de me ler. tua confissão esbarrou no meu segredo ― pra me despir de antigos temores [e me abraçar na intimidade]. foi quando tive a certeza de que você jamais me anulará [na cama e fora dela, na vida pública e antes dela]. porque quer irradiar em mim e se enxergar dentro dos meus olhos de Capitu. tuas jabuticabas. e não duvide de mim. eu penso na vida. penso nela com você ― não há vida sem você.

2008/08/04

baby:
queria saber se devo insistir. investir neste gostar assim de você. verter o desejo ― e por ele me deixar conduzir [mais e mais e mais]. pedi ao universo pra conspirar a favor, porque já não sei ser diferente. desfazer o feitiço. rasgar a tela em que pintei você. recortar tua presença ou apagar teu cheiro de mim. eu inventei você. pra gostar da minha poesia. me dizer gracinhas sensuais e extrair, de mim, sutilezas gestuais. carícia & libertinagem. magia & enfrentamento. me ensina a gostar mais de mim? pra isso, preciso gostar mais de você, morar no teu segredo, me reinventar com você.

2008/08/03

baby:
quero mais que o feitiço teu. quero domingo no parque, domingo no litoral, domingo de chuva com você. quero mais que o enternecer meu diante do teu. quero anoitecer com você, clarear com você, enjoar com você. costurar os destinos. aproximar desejos e projetos. viver você. cantar você. me perder com você. quero isso tudo com você. quero a vida de volta. sair do exílio. desabrochar. quero tudo com você ― sem economias. você ontem, hoje, amanhã ― sempre. uma leveza real [a mais doce que eu possa querer].