2008/05/19

innocence

baby:
não sei mais como obstruir a entrada tua. matar o desejo. apunhalar a saudade. esfacelar o encantamento. sepultar-te. sei que é preciso aquietar o impulso. afogar memórias feito um cão que sufoca seu osso embaixo da terra — a salvaguardar preciosidades — prevendo encontrá-lo mais tarde. envolto nas mesmas memórias. queria entender o desejo. escolher seu dono. amarrar-me ao lado dele e apenas reviver-te ao abrir o baú — e, entre cartas e postais, bilhetes e gravuras, desenterrar doces lembranças. acarinhá-las sem força ao rebobinar o enredo do que poderia ter sido e não foi. ficção sem fim. invencionices talhadas ao jeito teu. em tempos distantes. na rouquidão das noites em claro. na sordidez que todo outono prenuncia.

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