2008/02/25

marujo:
cá, a chuva. aquele velho chorar de saudade [tua]. a preguiça [minha]. desejo de colar na cama — sob os lençóis. me revirar por todo o dia e emendar minha preguiça no teu corpo também preguiçoso. presunçoso. sei que tudo isso é desculpa do céu — pra me guardar em casa. reclusão produtiva. a bebericar uma saudade que não cessa, apenas silencia [a dor, o ardor, o calor, o amor].

2008/02/13

marujo:
estou às voltas com elis, pois preciso aprender a ser só [e por mim mesma]. delimitar emoções. alimentar-me de mim somente. substituir desejos compartilhados por desejos imaginados — pulsões sexuais por ímpetos intelectuais. anular os melindres de saudade, os sonhos de menina, as paixões recorrentes. blindar o peito [repelir cada flechada]. e é tudo tão difícil. apagar você nos retratos não bastou pra apagar você no coração — o querer te recupera. pra afastar você, tentei chorar baixinho, fingir estar feliz — acabei dedilhando o colchão que abrigara teu corpo [nosso calor] teus recuos [meus sussurros] teu cheiro saliente [combinação de aromas]. friccionar de peles, gostos, gemidos. agora, aperto o play. reproduzo o encanto em papel A4. fabrico o amor. pura invenção. coração à deriva — não sei nadar.

2008/02/05

baby:
canção de ninar. móbiles de algodão pelo quarto [e sachês de macela]. meia luz no velho abajur estrelado. é hora de rezar aos pés da cama. dar corda aos rituais cristãos. ter o cabelo comprido trançado, a camisola rendada ajeitada sob os joelhos. novas preces, anseios sabidos. ainda peço paciência e lucidez. pra saber esperar escolher entender. o momento certo. a doçura mais pura. o desejo mais nobre. efeito fortaleza divina — graciosa, menina.