2008/01/21

grey sky

baby:
por que as estrelas estão escondidas? não posso acreditar que as roubou. que voltei a chorar de saudade. imitar o céu. lacrimejar em silêncio. guerrear com o desejo — batalha vencida [não há arma contra o desejo. e qualquer tentativa é vã]. no mais, vontade de chamego. de beijo no pescoço. de ficar de enrosco — frear o relógio e começar tudo outra vez.
baby:
quero conhecer contigo as paisagens escondidas. brava. cabeçudas. atalaia. o velho novo — de novo. o molhe. a costa. as marés. as figuras de pedra. passeios guiados. narrados pelas histórias tuas. pelo saber diplomado. a ciência vertida em lazer. o banhar do corpo seu. os mergulhos nossos. você a me puxar pelas mãos — pra desamarrar o biquíni, desfazer os nós e ensaiar um novo balanço [um espumar mais branco]. depois, me levar pra pular ondas. correr na areia. plantar bananeira. bater palmas. escrever poemas. cantar. acreditar que tudo isso é verdade. querer bem. saudade.

2008/01/11

baby:
fim de tarde à beira-mar. foram-se os castelos de areia [as juras de amor grafadas em solo firme]. agora, o sol poente. a cama vazia. o vaivém da memória [dos vestígios de você] — e até aí: nenhuma estranheza. estranho seria não desejar você. adormecer sem revirar a lembrança pra enganar a saudade — do cheiro seu [na linha curva que introduz os quadris]... me deixa gostar de você? prometo atender cada capricho. multiplicar delicadezas. me deixar envolver. desvendar.

2008/01/07

baby:
você sabe das coisas. ou de mim. e tem razão quando diz que me acalma. de verdade. vai ver é porque me esvazia a mente [de tudo que não importa]. vem para acomodar o desejo. alimentar a memória. visitar a intimidade e se desenhar dentro de mim. gosto de saber que mexe comigo. de me imaginar tua menina — chameguenta. aprendiz de levezinhas — feitas a meia luz, fantasiadas em silêncio, inventadas nos cochilos interrompidos. não tenho pressa. assim como você. nosso encontro é providencial. deve se repetir. por isso, espero você. hoje. amanhã. depois. nesta vida. nas próximas. precisamos reescrever nossa história.

2008/01/01

baby:
a beleza dos rituais somente terá validade ao lado seu. e é assim que tenho pensado desde que deixei o reveillon dentro dos livros e passei a acreditar que datas não são mais que pontas de icebergs. hoje me limitei a imaginar por onde você andará, com quem teria esvaziado espumantes nacionais e trocado saudações vazias de verdades — mesmo sabendo que esteve cercado de bem-querer. e não poderia ser diferente. algumas pessoas nasceram para ser amadas. mas não escrevo por causa disso não. esta carta é apenas pra dizer que o seu abraço ainda está guardado. quando vem buscar? inaugurar comigo rituais que realmente importam? porque, pra mim, baby, há só uma razão a brindar.