2007/11/26

confissão

baby:
ainda não sei o que pensar da nossa história. da leveza nossa. dos chamegos cada vez mais freqüentes. dos olhares de gula e ternura. da sintonia evidente. pra dizer a verdade, tenho evitado pensar a respeito desde que coloquei você no repeat da memória — é tão melhor. não quer tentar? arriscar-se comigo? adorei me saber tocada. encharcar você da minha doçura. me extasiar sem pressa alguma. prolongar meu desejo velado pela mira tua. contemplativa. serena & sedenta. puro sex appeal.

2007/11/19

baby:
é preciso reinventar a verdade. rearranjar o baralho. descartar jogatinas, antigos vícios. reconstruir. quero você nesta nova fase — a exemplo das demais. e não pense que não. minha vida não se refez pra estar sem você. apenas se abriu a novos desejos. viveres complementares. diferentes dos de outrora. mas sempre sedentos da intempérie tua. afinal, é na ausência tua que meu gozo se dá [para além dos lençóis jaquard]. na pura lembrança. na insensatez do feitiço quebrado. nos gestos guardados. flertes mentais textuais virtuais. enquanto há vida, haverá amor. e a saudade, baby, é o seu badalar. perdura na infinidade — se assim a doçura quiser.

2007/11/04

honey,
estou tão triste em saber que esvaziou os copos, deitando fora a alma inteira que os preenchia, a minha e a sua. sinto ter decepcionado seus sonhos, revertido o feitiço, o sopro, o corpo. mas, não, as cartas não mentiram jamais. é tão triste escrever sabendo que sente minha falta com menos entusiasmo. que não espera realmente me ver, nem nada, muito embora me convide vez em quando para conversas cheias de conversas [outro modo de dizer o encadeamento do pleno por trás do vazio]. é quase como se você quisesse me dizer que mata as saudades que tem de mim com suas próprias lembranças, suas imagens pop, seus simulacros. e não é assim comigo, pois eu não esqueci o seu nervosismo de viagem, o seu cuidado imerecido, a cama a dois cheia de aforismos. saiba que eu tenho o que esquecer. não é assim, com você me dizendo que são as lembranças mais bonitas que geram o esquecimento. as matérias da memória estão disponíveis, ao alcance do coração, mas já me acostumei com você fazendo vaticínios e anamneses de uma lacuna improcedente. parece que me acostumei com você fazendo leitura dos meus lábios, dizendo exatamente o que eu sinto ou faço, que ando cada vez mais me calando. risquei umas tantas cartas, omiti umas tantas partes, interceptei o correio, me arrependi. se a saudade não voltasse nunca mais seria tão mais fácil. mas ela fica à espreita, acenando nas paradas de ônibus, nas calçadas, nas escadarias. eu queria escrever só para ver se você me perdoa. eu fui tão culpado por tudo, de uma culpa inocente de tão tola. avisa que não vai embora no carro de fogo, que esquece tudo, que me aquece e pronto.