2007/10/29

baby:
saí do luto agora que esgotei você dentro de mim. decisão acertada, atendi aos anseios do coração. sinal dos tempos — é preciso voltar a viver, diluir a sombra, preencher o silêncio, gargalhar alto e imaginar carícias no anonimato das faces imberbes. me enganei ao pensar que precisava de você para existir. e não foi por falta de aviso. a força tua era reflexo meu. feito o desejo aparente e cada doçura.

2007/10/28

baby:
o encanto se quebrou. com ele, você. e um novo velho ciclo se fechou. sei que não vai se opor. que vai dizer que as cartas mentiram ao dispor nossos destinos frente a frente. tudo bem. guardo a doçura tua. a sedução grafada. nossos viveres. saldos parciais. enterrei meu amor pra deixar de te querer. balanço final — a magia vingou, e agora, baby, não tem volta.

2007/10/15

baby:
está tudo tão triste. há dias, chove e faz frio. enquanto você não vem, me aqueço com gorros coloridos de feltro e lã. bebo chás. invento escalda-pés e assopro a garoa lá fora como quem afasta a saudade sem querer afastar. gosto de pensar que a chuva é um chorar de saudade — que é assim que o céu diz da saudade de você. e a saudade, você sabe, é a morada do amor. volta pra casa, vai! antes que seja tarde demais.

2007/10/06

adiós

baby:
não se culpe pela falta de amor. nosso histerismo não nos permite amar. por isso, estamos condenados ao gigantismo epistolar e suas promessas incontidas. vazias de verdades. pura fantasia & purpurina. eternos prisioneiros — entenda isso. é tarde demais para não aceitar. e de que adianta tamanho espiritualismo? o amor é criação do mal. e os remorsos servem ao envenenamento de si. deixe de se preocupar com minhas armadilhas de amor. desarmei uma a uma. acabou. resta, agora, esquecer que, um dia, tua bonequinha de luxo existiu. adiós.

2007/10/03

honey,
os gigantes me aprisionaram no mundo das pequenas coisas. é tão dolorido saber que os príncipes estão encastelados e os gatos do outro lado da sala, tristes. meus olhos, sim, mais do que os gatos, dois quartos vazios e opacos de tão tristes. a dúvida sobre meu corpo me cobre de dores. sou teu homem nas pétalas do bem-me-quer? sinto tão dentro que o que sobra é um mínimo múltiplo incomum, uma matemática equivocada. e não me peça para desmentir o que nem sei. a mentira me dá muito remorso. por isso rezo de joelhos e escrevo cartas. é quase uma iniciação num universo de espiritualidade. verdade é. de agora só quero uma âncora. não me segura porque eu estou partindo inteiro e caindo como um patinho na tua armadilha de amor. a lagoa vai cheia. as naus do desejo vão cheias. e os gigantes aqui me aprisionaram. (faz um conto de fadas às avessas e me salva, princesa). beijos, garras e pêlos de gato persa (bom.para.tapete)

2007/10/01

sexto sentido

baby:
sinto que jamais serei tua mulher [e nem mesmo tua menina]. me desmente rapidamente ou muito lentamente, please?