2007/08/25

candies

baby:
pedi pra chorar ao saber da partida tua e chorei. baixinho. muito alto. repetidas vezes. e você concordou. quis, então, te puxar pra debaixo do meu edredom. te amar como nunca. beber da tua saliva e guardar toda reserva possível de ti. antídoto do pathos — você prometeu pensar.

quis que fosse doce enquanto durasse. depois desejei que fosse pra sempre. minha doçura é tua nicotina. fica?

2007/08/19

last meeting

baby: tua carta chegou feito um espraiar de luz. um fio de esperança por baixo da porta. a última abertura a vedar antes de [você sabe]. caio estava no banho. seria amado por quem o acolhesse. adotar um cão é um gesto de amor. e eu lhe doei o meu. por completo. achei que bastaria. e quis que bastasse. me logrei por um tempo. hoje sei que o viver pede mais que um repositório de amor, transas vãs e pílulas alucinógenas — gozos fálicos. li. reli. tresli você. você que vem sempre estancar a dor. calar o choro. juntar os cacos de vida aqui. fechar o gás. abrir as janelas. injetar a calma. me acarinhar dos pés à cabeça e depois sumir. chegada & despedida. céu & inferno. sempre. agora, o gosto amargo da ausência tua. a ressaca minha. a falta nossa. a vida só. tão só. tão sem. tão tão.

2007/08/16

honey,
estrangulei uma centena de vozes autoritárias para estar contigo esta noite. todas ríspidas, egoístas, mal-amadas. não querem saber da felicidade. ignoram por completo o desejo (com muita devoção, horas, terços e joelhos sangrentos). quero me deitar no teu colo com o peso de um anjo. acredita que foi por acaso nosso encontro de almas? não tiro da cabeça que nossos destinos quase equacionam com os kharmas embutidos no corpo. por isso qualquer beijo não é uma fatalidade. a saliva é grossa como deve ser, o calor, divino como pode. se eu te peguei de labirinto, quem me pegou de surpresa foi o teu querer. por favor, encontre-me lá onde se fez a encruzilhada, a linha paralela da minha mão roçando na tua. por acaso e por livre arbítrio. interseção sem intercessão. (cada coração-deus foi responsável pelo duplo destino amoroso).

2007/08/15

pedido

baby:
vem [sem avisos]. enrosca tua língua na minha. subtrai meu desejo. dilui teu cheiro no corpo meu. incorpora minh’alma e se apropria de mim [sem medo].

hoje, a única coisa que eu quero é te dar as costas [nuas]. pra sentir o colar do teu corpo [também nu] me abraçando até o amanhecer. feito um só. porto. corpo.

2007/08/11

baby:
hoje não quero saber da saudade de ti. vou esgotá-la. me refugiar. luto & penitência. confinamento. cartela e meia de dalmadorm, lençóis trocados e muitos travesseiros. e nem tente me acordar antes de eu envelhecer por completo. lacrar o coração e perecer lentamente até descobrir que tudo isso é pura imaginação. incompreensão. tormento sem fim.

2007/08/10

baby:
é pela boniteza das nossas memórias que ainda sorrio, apesar de tanto pesar. dos desejos lacunares. da vida avulsa. das noites vãs em que me imagino a espiar teu sono e acarinhar teu dorso macio sem poder te tocar. afagos fortuitos. sutilezas pueris. pedi ao vento pra te levar pra bem longe daqui. não sei acreditar no amor como utopia possível. me ensina? desejo reverso. ainda quero um amor possível. pleno de gozo e presença. tão cheio de si que extravasa pra adoçar os arredores de si. se mudar de idéia, me avise. extermínios podem ser úteis para remediar o irremediável. não há poesia maior que morrer de amor.

2007/08/08

honey,
seu corpo ainda exerce uma presença fantasma pelos corredores de casa. beijos e desejos fantasmáticos, sem lençol ou correntes. pura memória mental, sem fotografias ou documentos, apenas feita de registro dos olhos. entreabertos, entre uma carícia e outra. então tenho seu corpo descontínuo e suas expressões de gozo intermitente feito tatuagem invisível. não, eu não tenho medo. o amor é a única utopia realizável. ninguém o tirou da república, nem da nova atlântida, nem da própria utopia. é somente no não-lugar que se realizam as coisas fora do lugar. é um convite: pega minha mão de novo, vamos para o que não existe, vamos ir-realizar o mundo real. (paixão sem rh).

2007/08/04

passport

baby:
me enganei ao pensar que o medo de amar te afastaria pra sempre de mim. já nem sei mais o que assombra meus dias. a falta tua. a histeria minha. a carência nossa. o fim dos dias.

my behaviour is yours. somos espelhos, remember? sangrias compartilhadas. patologia espiritual. desconsolo. por que você mora tão longe? e vive dizendo que vai pra mais longe ainda?

adianta dizer pra me procurar quando quiser começar uma nova história comigo? sem telegramas & avisos. desculpas & promessas. passport? just a hug. basta. teu amor está guardado. e você sabe, apesar de fingir não saber. doce beijo.

2007/08/03

honey,
a resistência assombra seus dias? sei disso porque não atende meus telefonemas, nem quer saber de mim. é quase uma violência. fico mudo de ciúmes e com febre alta. a garganta fecha, os sinais fecham, as profecias roncam pelas estradas. eu aqui me perco no tempo, sem perder a paciência: um conta-gotas para cada segundo. não sei mais se minhas cartas a entediam, se o que escrevo já é um papel para rascunho, o jornal para as necessidades do cachorro. eu sei que antes de exigir, mais sensato é ceder. pois estou aberto a tuas exigências de véu e aos teus desejos de final de semana. me quer de malas prontas e dormindo no teu seio? me peça, me peça, que te farei a mulher mais feliz. sem demora alguma.
beijos.