2007/02/05

dear:
9h10. vejo a lua nascer lá onde mar e céu se imbricam. prenha. plena. faz do mar espelho, reflexo, extensão. rainha do universo. mecanismos naturais, rituais. algumas coisas realmente nunca mudam. como a minha total falta de sorte pra lidar com os assuntos do coração. desejo em cena combina com pontapés morais e escoriações emocionais. não sei não me apaixonar por quem permito entrar no meu mundinho — abrir a concha e compartilhar a caixa postal, o espaço interno, o peito, o leito [e todo o resto. incluindo os quadris].
e como os movimentos são cíclicos, depois vem a fase em que me vejo só, “mastigando minha imensa solidão”. elis diz que “é preciso aprender a ser só”. vai ver é isso mesmo que me falta, além de todo o resto. aqui não há lugar para gente sincera, amorosa e chorosa demais. pena. gosto mesmo é de ser menina — nenhuma pretensão, meiguice nos lábios e leveza na ponta dos pés.