2007/01/25

honey,
pensei que o amor era apenas ficção, coisa recendendo literatura. provei que não. senti na carne. vai ver por isso chorei na novela reprisada da tarde, na novela mexicana da noite, com as notícias do jornal. nem prestava atenção no âncora. olhava longe, por trás. vontade de ser um tradutor simultâneo presidencial, vagar de país em país e falar feito papagaio. colorido bem de acordo com a nação. mas e essa tristeza? que desconversa a minha. é amor, sim. subi o morro do adeus. vi pessoas chorando e sorrindo. quem parte nunca quer partir. e eu estou de coração partido. quanto medo de olhar pra trás, fazer fotograma, biografema. o que se faz disso? risco agora um conto de fadas forte na capa do caderninho? ou escrevo derramado longas cartas de amor? ah, sempre o risco. que eu arrisco, passo o ponto e acredito. pra depois de sempre.

bom saber que também não sabe como não saber da saudade que me faz.
tudo bem parecer estranha aos teus olhos. distante do teu ser. faz parte do ritual. o mistério alheio é a liga entre yin e yang.

meu universo não vai além do meu casulo, baby. você sabe. nele, dispenso véus e abandono fantasias pra me enroscar dentro de mim até virar nó e enxergar verdades veladas e gozos calados [feito o querer um frame do teu desejo]. e deve ser linda a nudez do teu desejo. como o aroma do teu falo no meu lençol. sutileza que me coloca de pé todos os dias. com minhas aflições, incompreensões, paixões e delírios.

saudade de gargalhar com você até fazer doer a barriga.

2007/01/22

baby:
ainda bem que temos um ao outro. bom/brio. e que a literatura, nossa “deusa-cadela”, nos serve de alento, leito e delírio. excessos textuais, carnais, gestuais se cruzam e se descruzam num eterno encontrar se perdendo de si e do outro. móbiles urbanos em coreografias iguais que conduzem ao amor ausente, fugidio, arredio. sina cármica. sylvia[s], ana[s], caio[s], clarice[s]. roteiros distintos para desfechos idênticos. bio[grafia]s.

o amor morreu. não. pra dizer a verdade, nunca existiu. é fábula. invenção. projeção. obra de sylvia[s], ana[s], caio[s] e clarice[s]. criatura criada, criador morto. iô/iô. hoje brindo à vida. matei o amor fetal antes que ele me matasse. agora vem. me dê as mãos. vamos passear.