2006/11/21

honey,
como o silêncio é dolorido. não sei onde, li em algum lugar, que o silêncio era a mais perfeita maneira de exprimir o desprezo. por favor, não me despreze. foi você quem sumiu e não me disse mais nada. tive que fazer telefonemas para saber como estava, se havia se exilado do país ou de mim. te respondo que estou desmontando a biografia, se quer saber o que faço. aqui não há intimidade suficiente, apenas pedaços de uma existência. pode ser daqui ou de tão longe mais, nesse lugar onde agora mora. não me importa. me importo com a ternura com que você me lê e se demora em mim. tem horas que eu escrevo com a pele, outras com sangue. roçar e hemorragia. sei que prefere o contato, mas não o corte e a falta de tato ou pudor com a palavra. sei bem o que é um coração em fúria quando descamba no improviso da escrita. pode até possuir uma fina beleza cruel, mas não é a beleza veluda de pele deslizando sobre outra pele. isto é outra coisa. é delicada, sutil, feita de um montinho de suspiros de padaria e algodão doce de parquinho. escrita de pele é quase um armistício. não silencie mais, agora que está francesa e bonita.
beijos. amor.

2006/11/18

my dear:
que falta você me faz. e o silêncio é meu protesto.
desde a última carta que me postou com a imagem da tua silhueta em preto e branco, não tenho notícias tuas. nem pelos jornais. deixou que as fotografias roubassem a tua alma com um mero click? repeti tantas vezes preferir a imagem que a tua poesia me traz... e não é misticismo. um corpo sem alma é um corpo sem aquelas entidades pueris todas. e você sabe. quero tuas cartas de volta. teu lirismo. tuas doçuras subliminares. e teus fragmentos imagéticos. quero o gozo do ato de abrir o envelope selado com tua saliva. please.