2012/05/10

dear:
me sinto tão mal vendo minha capacidade de amar sendo destroçada assim. quis ser escolhida — e, como sempre, ele preferiu outros caminhos, apesar da liberdade de estar aqui. de ir e vir e escolher, entre tudo, ficar por querer ficar. simples assim. sem acordos, promessas ou chantagens. conexão imanente. prosa silenciosa. disposição e ternura.

2012/05/07


dearie:
não me julgue, por favor.
dispenso melodramas — e jamais quis lhe cobrar nada, apenas expor o que desejo pra mim. essas vontades que se estenderam com o tempo — e a ficção sem fronteira que é o amor, esse vilão.

2012/05/04

dear:
somos de maio, mas ele vem primeiro — taurino desses com garras cravadas na terra. eu chego depois, gêmeos — e não pense em me roubar o ar. você sabe bem que a astrologia dá as cartas, desenha perfis com preciosismo, faz parecer possível entender o funcionamento de mentes & relações. por isso, compreendo que todas as razões para terminar aparecem para diminuir a culpa — e amenizar o entorno que mais lhe importa.

2012/05/01

dear:
papai do céu sempre sabe o que faz — e lhe deu tanto que chego a pensar que nem ele percebe. talvez reconheça, um dia, que transferir a responsabilidade não diminui o amor — ou que fugir da conversa não gera resoluções. porque a gente tem essa mania de querer inventar soluções mágicas para resolver o que a simplicidade ensinou: ouça seu coração — o que sobrar é bobagem.

2012/04/28

dear: não precisava mentir, ocultar a verdade, suavizar o impacto que a inércia teria. mas, diante do feito e do dito, não há o que mudar. sou dona das minhas escolhas: me mantive à espera. quis estar perto — de plantão. e nos acostumamos a viver assim, preenchendo evasivas e adiando resoluções que nem o tempo viu chegar.

2012/04/25

dear:
neste aniversário, não vou lhe mandar cartões ou livros de presente. eu vou rezar para que você não tenha tudo que deseja, mas possa estar com quem você realmente queira. de verdade. feliz dia.

2012/04/22

dear:
você também tem vergonha de mim? porque quis que ele se orgulhasse de mim para além dos portões — e depois que a lua se esconde. pois, no escuro, as coisas se esquecem de si mesmas — são apenas coisas sem conexão, desligadas de associações e diálogos. e eu? eu continuo aquela avenca plantada no vaso esquecido no fundo da casa. sem água.

2012/04/19

dear:
ele decretou o gran final. desistiu de atravessar o mar para navegar nas águas que já conhece de cor. é, cruzar o oceano tem seus mistérios. demanda ousadia e coragem. requer mais de si e do mundo. porque seguir em frente seria abandonar as figurinhas carimbadas. bancar a escolha — e preferir estar onde eles não estivessem, para estar onde eu estiver.

2012/04/15

dear:
hoje, ares de leminski
— latidos & profecias, tempo fechado & alguma alegria. acha que estou errada?
porque eu não lhe imponho o convívio — nem a tristeza. por isso, a presença se dá por escolha — desejo de pertencer, entender, transformar. vontade de pôr no colo, guardar pra si, juntar num só.
sempre.

2012/04/11

dear:
meus olhos se cansaram — não vão mais sorrir na distância. afinal, não foram dias. foram meses e meses se somando e se juntando durante anos — enquanto eu desejava a rotina do rosto colado, da pele de dia todo, do carrinho no supermercado... a emoção da presença — e nenhuma surpresa.